O Governo Federal decidiu que não vai aceitar a proposta de empresários para que a redução da jornada de trabalho 6×1 demore até dez anos para ser totalmente implementada. A afirmação foi feita pelo ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, reforçando que a mudança deve ser sentida pelo trabalhador em pouco tempo.
Setores da indústria e do comércio defendem uma transição lenta, alegando que uma mudança imediata causaria aumento nos custos de produção e desemprego. No entanto, o governo rebateu esses argumentos, classificando o receio do setor produtivo como um tipo de terrorismo econômico contra os direitos de quem trabalha.
Boulos questionou a lógica de aplicar juros e benefícios para grandes empresas de forma imediata, enquanto as melhorias para o trabalhador ficam sempre para o futuro. Para o ministro, um prazo razoável para adaptação das escalas seria de apenas 60 dias após a aprovação da lei.
O debate agora se concentra em uma comissão especial na Câmara dos Deputados. O relator do projeto, o deputado baiano Leo Prates, deve apresentar seu parecer oficial por volta do dia 20 de maio, definindo como o texto seguirá para votação.
A expectativa em Brasília é que o projeto avance rápido. O presidente da Câmara, Hugo Motta, trabalha com o cronograma de votar a proposta em plenário ainda no final de maio, aproveitando o simbolismo do mês do trabalhador.
Estudos citados pelo governo apontam que o impacto financeiro da redução da jornada seria semelhante aos reajustes anuais do salário mínimo, sem causar a quebra de empresas ou demissões em massa, como afirmam as entidades patronais.




