O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) publicou, nesta sexta-feira (15), uma portaria no Diário Oficial do Estado (DOE) da Bahia autorizando a realização de adequações no canteiro de obras instalado no Estaleiro São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, no Recôncavo Baiano. A licença foi concedida à concessionária responsável pela construção da Ponte Salvador-Itaparica e representa mais um avanço burocrático-ambiental rumo ao início das obras, previsto para junho de 2026.
Segundo o documento, o estaleiro receberá uma série de atividades industriais de grande escala, entre elas a produção de estacas metálicas e camisas de fundação, fabricação e montagem de estruturas metálicas, processamento e armação de aço, pintura industrial anticorrosiva multicamadas, produção de concreto com operação de central dosadora e pré-moldagem de elementos estruturais em concreto. A portaria também prevê operações logísticas com movimentação de cargas predominantemente por via marítima. A licença tem validade até junho de 2028.
O próprio documento ressalva que a autorização se refere à análise de viabilidade ambiental de competência do Inema, cabendo à concessionária obter as anuências necessárias de outras instâncias nos âmbitos federal, estadual ou municipal, conforme cada caso exigir.
O Estaleiro São Roque do Paraguaçu pertence à Petrobras e foi confirmado como principal canteiro de apoio em março deste ano, após a assinatura de contrato entre o Governo da Bahia, por meio da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, e a estatal. A escolha do local considerou critérios técnicos e logísticos, já que o espaço fica a cerca de 36 km da área onde a ponte será construída, com acessos adequados para transporte e movimentação de equipamentos de grande porte. Com área aproximada de 300 mil m², o local será destinado ao suporte operacional da obra.
“O canteiro São Roque do Paraguaçu tem importância fundamental, pois já conta com infraestrutura robusta e avançada para atender às demandas do projeto. Além disso, a localização é estratégica por estar afastada de comunidades, o que contribui para minimizar impactos socioambientais”, afirmou Mateus Dias, titular da Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador-Itaparica (SVPonte).
Além do estaleiro de Maragogipe, outros dois canteiros de obras serão implantados na região da Jequitaia, em Salvador, e no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. Os três pontos de apoio formarão a espinha dorsal logística da construção da estrutura sobre a Baía de Todos-os-Santos.
A licença concedida nesta sexta-feira se soma a outras autorizações ambientais emitidas nos últimos dias. O Inema também concedeu autorização para manejo de fauna à concessionária, com validade de cinco anos, permitindo levantamento, salvamento e monitoramento de espécies marinhas na Baía de Todos-os-Santos. Além disso, o órgão havia liberado anteriormente a realização de serviços de dragagem na baía.
No âmbito logístico, no dia 30 de março, um navio saiu da China carregado com 44 contêineres com mais de 800 toneladas de materiais que serão implantados na Baía de Todos-os-Santos em junho, marcando o início físico das intervenções. Está prevista para a segunda quinzena de maio a chegada ao Brasil de uma plataforma operacional inédita na América Latina.
Com 12,4 quilômetros de extensão, a ponte será a maior da América Latina e integrará o Sistema Rodoviário Salvador-Itaparica, considerado o maior empreendimento de infraestrutura da história da Bahia. Em fevereiro de 2025, acordo homologado pelo TCE-BA elevou o valor da obra a R$ 10,4 bilhões. A previsão oficial é de entrega completa do sistema viário em junho de 2031.
A Ponte Salvador-Itaparica deve gerar cerca de 7 mil empregos diretos e beneficiar aproximadamente 10 milhões de pessoas em mais de 250 municípios baianos, além de impulsionar o turismo, a mobilidade e a economia regional.




