Salvador sediou, entre os dias 12 e 15 de maio, o primeiro encontro conjunto das Redes Nacionais de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renorcrim) e de Recuperação de Ativos (Recupera). O evento, realizado na Universidade SENAI CIMATEC, no bairro de Piatã, reuniu representantes das forças de segurança pública e do sistema de Justiça de todo o país e encerrou na última sexta-feira com uma série de encaminhamentos práticos voltados ao enfraquecimento financeiro do crime organizado.
Entre as principais decisões do encontro está a realização de uma operação integrada entre a Polícia Civil e o Ministério Público, além do fortalecimento da cooperação para a alienação de bens apreendidos de organizações criminosas. A iniciativa foi promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em parceria com a Polícia Civil, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público do Estado da Bahia.
O coordenador-geral de Combate ao Crime Organizado da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), Getúlio Monteiro, afirmou que os encaminhamentos definidos ao longo dos quatro dias serão levados a Brasília para aplicação nacional. Segundo ele, grupos de trabalho serão criados para aprofundar temas ligados à recuperação de ativos e às operações integradas. “Estamos saindo de Salvador com a certeza de que estamos no caminho correto”, declarou o coordenador.
Um dos pontos centrais das discussões foi a aproximação entre as redes Renorcrim e Recupera como estratégia de asfixia financeira das facções. O gerente da Rede Recupera da Senasp, Eduardo Quadrotti, classificou o encontro como um marco histórico para o Ministério da Justiça. “É impressionante o avanço que tivemos nesses quatro dias”, afirmou. Já o gerente da Rede Renorcrim, Paulo Reyner, destacou que a articulação com o Ministério Público, o Poder Judiciário e a Polícia Federal fortalece as estratégias de persecução penal em todo o país.
Entre os próximos passos definidos no encontro está a apresentação de um modelo nacional de recuperação de ativos no Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil, prevista para agosto. A proposta é que a metodologia construída durante o evento seja replicada pelas polícias civis de todo o Brasil. Também está prevista a construção de um trabalho conjunto com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) para apoiar os estados na alienação de bens apreendidos.
A realização do encontro em Salvador ocorre em momento de intensificação das ações federais contra o crime organizado. A primeira edição da Operação Renorcrim Recupera, encerrada em maio, provocou prejuízo estimado em R$ 483 milhões às organizações criminosas ao longo de 26 dias, com 909 pessoas presas, 110 armas apreendidas e 723 kg de drogas recolhidos, segundo dados da Senasp.
Getúlio Monteiro reforçou que um dos diferenciais das redes é colocar quem está na ponta da investigação como parte ativa da formulação das políticas públicas. Delegados especializados em combate ao crime organizado e em recuperação de ativos, segundo ele, não apenas executam as ações, mas contribuem com informações e experiências para orientar as decisões estratégicas nacionais.
A delegada-geral adjunta da Polícia Civil da Bahia, Márcia Pereira, ressaltou a importância da cooperação institucional para o avanço das políticas de segurança pública e afirmou que o estado sai do encontro com novas ideias e com perspectivas concretas para dar continuidade ao enfrentamento ao crime organizado. A escolha da Bahia como sede do evento foi interpretada como reconhecimento dos avanços do estado no tema.




