Quem abastece na Bahia pode respirar um pouco mais aliviado — ao menos por enquanto. A Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe, reduziu o preço de alguns combustíveis a partir desta quinta-feira, 14. Os cortes valem para os repasses às distribuidoras e tendem a chegar, com algum prazo, ao consumidor nos postos de combustível.
A gasolina passará a custar, em média, R$ 3,960 o litro; o diesel S-500, R$ 5,107 o litro; e o diesel S-10, R$ 5,572 o litro. Em termos percentuais, a gasolina teve queda de 4,5%; o diesel S-500, de 6,9%; e o diesel S-10, de 2,2%.
O movimento acompanha a ligeira queda do preço do petróleo no mercado internacional. Segundo especialistas, “uma vez que você observa que tanto o barril de petróleo, e naturalmente os refinados, sofreram uma redução de preço no mercado internacional, juntamente com a apreciação do câmbio, isso acaba incidindo na precificação da Acelen”.
A refinaria justifica os ajustes com base em critérios técnicos. Segundo a companhia, “os preços dos produtos da Refinaria de Mataripe para as distribuidoras seguem critérios de mercado que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais; câmbio e frete, podendo variar para cima ou para baixo”.
A Mataripe é a segunda maior refinaria do Brasil e representa 14% da capacidade total de refino do país, sendo 42% do Nordeste e 80% da Bahia. Por isso, qualquer alteração nos preços praticados ali repercute diretamente no bolso dos consumidores de todo o Nordeste, incluindo Paulo Afonso e o Vale do São Francisco.
Os repasses de ajustes de preços das refinarias vendidos a distribuidoras não são imediatos e dependem de uma série de questões, como impostos, mistura de biodiesel e margens de distribuição e revenda. Ou seja: a queda anunciada hoje não necessariamente chega amanhã à bomba.
O cenário, porém, não é só de alívio. Enquanto a Acelen corta preços na Bahia, a Petrobras sinaliza movimento contrário no restante do país. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira, 12, durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, que a estatal prepara um reajuste no preço da gasolina “já já”, em meio à alta do petróleo no mercado internacional.
Segundo Magda, o tema exige cautela maior do que no diesel por causa da concorrência direta com o etanol no país. A executiva destacou que a Petrobras acompanha a recente queda do preço do etanol no mercado doméstico antes de promover qualquer reajuste mais forte na gasolina.
O movimento ocorre em um cenário de forte pressão internacional sobre o valor do barril de petróleo, impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio. As medidas do governo para conter o impacto incluem subvenções para diesel e GLP, isenções tributárias sobre biodiesel e querosene de aviação, além de punições mais rigorosas contra preços abusivos.
Em nota separada também nesta quinta-feira, a Acelen afirmou que a política de preços da Petrobras afeta todo o mercado de refino privado brasileiro. “Para enfrentar tamanha defasagem, a Acelen precisa exportar combustíveis, uma vez que os preços do mercado interno estão represados já há algum tempo”, disse a empresa. A disputa entre as duas políticas de preço — uma privada, outra estatal — segue sendo o pano de fundo que define o que o brasileiro paga na bomba.




