O Tribunal do Júri de Feira de Santana condenou nesta sexta-feira (15) Danilo Cerqueira Silva a 58 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado pelos crimes de feminicídio e tentativa de homicídio. As vítimas foram a ex-companheira, Rafaela Ramos dos Santos, de 31 anos, e o filho do casal, um adolescente que tinha 13 anos no momento do crime.
O julgamento foi realizado no Fórum Desembargador Felinto Bastos e presidido pela juíza Márcia Simões Costa. A acusação ficou a cargo do promotor de Justiça Antônio Luciano, enquanto o defensor público estadual Jean Alcântara representou o réu. Ao final, o Conselho de Sentença optou pela condenação.
O crime aconteceu em 23 de abril de 2024, no Residencial Campo Belo, no bairro Campo do Gado Novo. Segundo a denúncia do Ministério Público, Rafaela havia chegado do trabalho acompanhada do filho quando se iniciou uma discussão dentro da residência. O acusado pegou uma faca e desferiu cerca de 20 golpes contra a mulher, que morreu no local sem receber atendimento médico.
O adolescente tentou defender a mãe durante o ataque e acabou ferido na mão. As investigações da Polícia Civil apontaram ainda que Danilo não aceitava o fim do relacionamento e teria monitorado a localização da vítima por meio do celular do próprio filho. Rafaela já possuía medida protetiva contra o ex-companheiro, mas, mesmo assim, foi atacada dentro de casa.
Após o crime, o acusado fugiu da residência. Dias depois, equipes da Polícia Civil o localizaram e prenderam. O caso chocou moradores do Residencial Campo Belo e repercutiu em toda a cidade.
O julgamento foi acompanhado por familiares da vítima e parentes do réu. Entre os presentes estava dona Fátima Ramos, mãe de Rafaela, que se emocionou ao falar sobre a dor de reviver os fatos durante a sessão. “Muito triste, muito revoltante, porque traz as lembranças velhas que machuca muito”, declarou ela, visivelmente abalada.
A mãe do condenado também acompanhou o julgamento. O caso expõe mais uma vez a gravidade do feminicídio na Bahia: Salvador, Camaçari e Feira de Santana figuram entre os municípios que registraram maior número de mortes de mulheres por razão de gênero no estado nos últimos anos, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
A pena de 58 anos e quatro meses deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, conforme determinação da juíza Márcia Simões Costa ao encerrar a sessão.




