A Polícia Federal prendeu em flagrante, nesta sexta-feira (15), um homem no Aeroporto Internacional de Salvador após ele desembarcar de um voo procedente de Foz do Iguaçu (PR) com substâncias usadas em canetas emagrecedoras cuja comercialização é proibida no Brasil. A abordagem ocorre em um momento de intensificação nacional das ações contra o comércio clandestino desses produtos.
Durante a vistoria da bagagem, os agentes localizaram 20 ampolas de tirzepatida de fabricação paraguaia. A Anvisa proibiu as injeções de tirzepatida de determinadas marcas que estavam sendo vendidas no Brasil sem registro, conhecidas como “canetas emagrecedoras do Paraguai”. Pela resolução do órgão regulador, os produtos tiveram comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso proibidos no Brasil, pois não tiveram qualidade, eficácia e segurança avaliadas e podem oferecer riscos graves à saúde.
O suspeito apresentou uma receita médica e alegou que o material seria para uso próprio. No entanto, segundo a Polícia Federal, a quantidade apreendida e os elementos reunidos na investigação indicam finalidade comercial. Além das ampolas, os policiais apreenderam 18 perfumes de origem estrangeira sem o recolhimento dos tributos devidos, configurando também o crime de descaminho.
O caso está inserido em uma investigação conduzida pela Polícia Federal em Feira de Santana, que apura o comércio irregular dessas substâncias por meio de plataformas digitais. As apurações da Polícia Federal apontam para esquemas organizados, com atuação interestadual e uso de plataformas digitais para venda em larga escala. A investigação apura a atuação de uma rede estruturada voltada à comercialização clandestina de substâncias utilizadas no tratamento de pacientes com diabetes tipo 2, mas que vinham sendo amplamente divulgadas e vendidas para fins estéticos e de emagrecimento, muitas vezes sem prescrição médica e fora dos padrões sanitários exigidos pela legislação.
A Bahia já foi palco de ações de grande porte nesse contexto. Doze pessoas foram presas durante uma megaoperação que investigou um esquema de comercialização irregular das chamadas “canetas emagrecedoras” no estado. As apurações indicam que os produtos eram comercializados principalmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, com indícios de transporte e armazenamento sem controle sanitário adequado.
O cenário nacional é preocupante. Em 2026, foram realizadas 11 inspeções em farmácias de manipulação e em empresas importadoras, resultando em 8 interdições por falhas técnicas graves e por ausência de controle de qualidade. As operações levaram à apreensão de mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares. Na Operação Heavy Pen, realizada em conjunto com a Polícia Federal, mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados irregularmente foram apreendidos.
Dados da Anvisa mostram aumento significativo de efeitos adversos relacionados ao uso de medicamentos agonistas do GLP-1. Entre 2018 e 2026, foram registradas quase 3 mil notificações, sendo quase metade concentrada apenas em 2025, com desfechos graves, inclusive óbitos. No Brasil, a única formulação de tirzepatida aprovada para venda e uso pela Anvisa é o Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.
O homem preso nesta sexta-feira foi autuado em flagrante e permanece à disposição da Justiça Federal em Salvador. A Polícia Federal informou que seguirá intensificando as ações de combate ao comércio irregular de produtos sujeitos à vigilância sanitária, com foco na proteção da saúde pública.




