O deputado federal Felipe Carreras protocolou nesta sexta-feira (15) ofícios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, pedindo medidas urgentes para resolver o corte de energia elétrica no Projeto Brígida, integrante do Sistema Itaparica, no município de Orocó, no Sertão de Pernambuco.
Nos documentos, o parlamentar alerta para o impacto imediato do desligamento da subestação que abastece o projeto irrigado. Os desligamentos de energia são temidos porque podem colocar em risco as lavouras, já que toda a água da região vem do sistema de irrigação, que necessita de energia para o bombeamento. Sem as bombas funcionando, as plantações ficam sem abastecimento hídrico.
A crise não se restringe ao campo. O parlamentar aponta que escolas, postos de saúde e o comércio local também estão sendo prejudicados pelo desligamento, agravando ainda mais a situação das famílias que dependem do perímetro irrigado para sobreviver.
O histórico de instabilidade no fornecimento de energia para a região não é recente. Os dez projetos do Sistema Itaparica começaram a ser criados há 40 anos, quando o Governo Federal retirou mais de 10,4 mil famílias que moravam nas áreas usadas para a implantação e enchimento do reservatório de Itaparica e a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, inaugurada pela Chesf em 1988.
Hoje, são mais de 50 mil pessoas que ocupam uma faixa de 150 quilômetros entre municípios do sertão da Bahia e de Pernambuco, todos agricultores e agricultoras familiares, com lotes que variam de 1,5 hectare a 6 hectares. Do lado baiano, os projetos abrangem municípios como Glória, Rodelas, Abaré e Curaçá.
O custo operacional total dos perímetros irrigados, incluindo manutenção e pagamento de energia, gira em torno de R$ 80 milhões por ano. Só de dívidas de energia os perímetros acumulam mais de R$ 40 milhões. A dívida está registrada em nome da Codevasf, que afirma não ter recursos alocados para o pagamento.
O medo nos assentamentos cresceu após o projeto Brígida, em Orocó, passar dois dias sem eletricidade após o corte da Neoenergia. “Nós estamos com uma liminar da Justiça que proíbe o desligamento por se tratar de água também para consumo humano. Mas mesmo assim a Neoenergia fez o corte”, lamentou o agricultor e técnico agropecuário José Dionísio Silva, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Orocó.
Diante desse cenário, Felipe Carreras pediu ao Governo Federal três medidas concretas: o restabelecimento imediato do fornecimento de energia ao Projeto Brígida; a construção de uma solução definitiva para os débitos históricos do Sistema Itaparica; e a adoção de medidas de proteção às famílias reassentadas que dependem da agricultura irrigada para viver.
O parlamentar informou ainda que acompanha o caso junto ao prefeito de Orocó, Ismael Lira, reforçando a necessidade de resposta urgente para evitar novos prejuízos à população da região. Reassentadas em uma faixa de 150 quilômetros entre Pernambuco e Bahia, ao longo do lago Itaparica, as famílias reclamam da precarização da assistência prestada pela Codevasf e de cortes de energia que prejudicam a produção do perímetro irrigado, além de interromper o abastecimento de água.
Em maio do ano passado, o Governo Federal chegou a pagar R$ 40 milhões de dívidas de energia, mas desde então as contas seguem se acumulando. Para especialistas e agricultores, os repasses pontuais não eliminam a raiz do problema: a falta de uma fonte estável e suficiente de recursos para manter o sistema funcionando ao longo do ano.




