O Tribunal do Júri de Maceió proferiu, na tarde desta sexta-feira (15), mais uma sentença contra Albino Santos Lima, conhecido como o serial killer de Alagoas. Ele foi condenado a 29 anos e um dia de reclusão em regime fechado pelo assassinato de Joseildo Siqueira Silva Filho, cometido em janeiro de 2024 no bairro da Ponta Grossa, na capital alagoana. Com essa condenação, a soma de suas penas ultrapassa os 200 anos de prisão.
Trata-se do oitavo júri popular enfrentado pelo réu. O juiz José Eduardo Nobre Carlos determinou o cumprimento imediato da pena. O Conselho de Sentença acatou integralmente as teses do Ministério Público Estadual (MPAL), reconhecendo que Albino agiu por motivo torpe e utilizou recurso que impossibilitou a defesa da vítima — as chamadas qualificadoras de crueldade e motivação fútil.
O crime ocorreu quando Joseildo, de 24 anos, caminhava pela rua acompanhado de um amigo e percebeu que estava sendo seguido. Sem chance de se defender, foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu no local. A investigação apontou que Albino usou a pistola do próprio pai para cometer o assassinato. A motivação estava ligada a um sentimento de posse não correspondido: o acusado nutria interesse pela companheira da vítima, uma adolescente de 15 anos à época.
Durante a sessão, a defesa tentou sustentar a tese de transtorno mental, alegando que o réu seria “louco” e que seus impulsos seriam obra do “Arcanjo Miguel”. A estratégia, porém, colapsou diante das evidências digitais apresentadas pelo promotor Thiago Riff: o celular de Albino continha capturas de tela da adolescente feitas 20 dias após o homicídio, demonstrando que o interesse pela jovem era premeditado e contínuo. O plenário reagiu com incredulidade à versão da defesa.
Percebendo que a tese de insanidade estava desacreditada, o Ministério Público optou por não pedir réplica — manobra que acelerou o rito e impediu que a defesa ganhasse mais tempo para insistir no argumento. O Conselho de Sentença foi encaminhado à sala secreta e rejeitou todos os argumentos apresentados pela defesa, acolhendo as qualificadoras levantadas pela acusação. A pena-base foi fixada em 24 anos, 10 meses e 10 dias, mas as qualificadoras elevaram a sentença final a quase três décadas.
O histórico de condenações de Albino Santos Lima é extenso. Conforme apurações do Ministério Público de Alagoas, ele é investigado por 18 homicídios consumados e seis tentativas de homicídio. O promotor Antônio Vilas Boas já o descreveu como o “maior assassino em série de Alagoas e um dos maiores do país”. As sentenças anteriores incluem 37 anos pelo assassinato do barbeiro Emerson Wagner da Silva (abril de 2025); 24 anos e seis meses pela morte da mulher trans Louise Gbyson Vieira de Melo (junho de 2025); 24 anos e seis meses pela morte da adolescente Ana Clara Lima Santos (julho de 2025); 14 anos e sete meses por tentativa de homicídio contra Alan Vitor dos Santos Soares (setembro de 2025); 27 anos e um mês pela morte de Tâmara Vanessa dos Santos (outubro de 2025); 24 anos, 11 meses e 8 dias pelo feminicídio de Beatriz Henrique da Silva (novembro de 2025); e 22 anos, 5 meses e 15 dias pelo assassinato da idosa Genilda Maria da Conceição, de 71 anos (março de 2026).
As investigações revelaram um padrão meticuloso: Albino monitorava suas vítimas por meses, preferindo jovens com perfis abertos em redes sociais, e executava os crimes à noite, geralmente por emboscada, em via pública. No celular do réu, peritos encontraram diretórios com fotos de vítimas e registros fotográficos do próprio acusado em cemitérios diante dos túmulos de pessoas que havia assassinado. Ele permanece preso desde setembro de 2024, quando foi capturado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Alagoas.




