sexta-feira, 15, maio, 2026
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Presidente da Câmara de Salvador devolve acusação ao CEO do aeroporto: “O ganancioso é ele”

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A disputa em torno do sistema Kiss & Fly no Aeroporto Internacional de Salvador ganhou novo capítulo com uma troca de farpas públicas entre o presidente da Câmara Municipal, Carlos Muniz (PSDB), e Júlio Ribas, CEO da Vinci Airports, empresa concessionária do terminal.

O embate começou quando Ribas, em entrevista ao programa Linha de Frente na terça-feira (12), chamou de “oportunista” o Projeto de Lei nº 108/2026, de autoria de Muniz, que propõe proibir a cobrança de tarifas nas áreas de embarque e desembarque da capital baiana. O sistema Kiss & Fly prevê cobrança de R$ 18 para motoristas que permanecerem por mais de 10 minutos na área destinada ao embarque e desembarque de passageiros.

O vereador não deixou barato. Segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde, Muniz respondeu diretamente à provocação do executivo: “Na fala dele tem um equívoco quando ele fala que é oportunismo, porque o oportunismo é dele. O oportunismo é você fazer algo que você tire benefício da população, como ele quer tirar”, afirmou o parlamentar.

Muniz também contestou a versão de que o CEO da Vinci teria se colocado à disposição da Casa para debater o tema. O vereador confirmou ter recebido uma correspondência, mas negou que o pedido fosse de audiência pública com todos os parlamentares. Segundo ele, Ribas queria apenas uma conversa com o presidente da Câmara. “Se colocar à disposição da Câmara é conversar com todos os vereadores e todos aqueles interessados em uma audiência pública. Se ele quiser fazer isso, sem problema nenhum”, declarou.

O presidente da Câmara também questionou os critérios adotados pela concessionária. Para Muniz, os 10 minutos de tolerância são insuficientes — especialmente para pessoas com deficiência — e o valor cobrado é desproporcional à realidade soteropolitana. “Qual é o estacionamento em Salvador, uma cidade pobre, que depois de 10 minutos é cobrado R$ 18?”, indagou. Ele também cobrou estudos técnicos de trânsito que embasem o tempo definido e questionou a participação da Transalvador no processo de fiscalização.

Apesar das afirmações públicas de Júlio Ribas de que o projeto teve anuência de todos os órgãos competentes, documentos oficiais contradizem essa versão: pelo menos quatro órgãos municipais, incluindo a própria Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), emitiram pareceres técnicos e jurídicos contrários à instalação do sistema de cancelas.

Segundo o Ministério Público, a política de cobrança inviabiliza paradas rápidas gratuitas e configura vantagem excessiva para o fornecedor. O Procon já lavrou autos de infração contra a concessionária pela ausência de cobrança fracionada.

A implementação do sistema Kiss & Fly ainda não teria enviado os documentos necessários para sua regularização mesmo após ter completado um mês de operação. Estudos de impactos no trânsito, exigidos pela Transalvador, ainda não teriam sido enviados pela Vinci Airports.

O projeto de Muniz, que previa a proibição de cobrança de tarifas em locais de embarque e desembarque, acabou retirado de pauta na sessão ordinária do dia 13 de maio. De acordo com o Regimento Interno da Casa, matérias são retiradas quando o autor está ausente do plenário no momento da votação. O próprio Muniz confirmou que esteve fora do plenário naquele momento e garantiu que o projeto será apreciado na próxima sessão com votação.

O Projeto de Lei nº 108/2026 propõe que a cobrança por acesso a áreas de embarque e desembarque se torne uma prática proibida em Salvador. Segundo Muniz, a proposta supre uma lacuna na legislação e evita que empresas imponham mais um peso nas contas da população. O texto também prevê multa, suspensão de atividade e cassação de alvará para quem descumprir as regras.

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