A luta contra a fibromialgia ganhou um novo capítulo com o reconhecimento da doença como deficiência por meio de lei federal. A medida busca garantir dignidade e atendimento prioritário para quem convive com dores crônicas, fadiga extrema e o estigma de uma condição que não aparece em exames de imagem comuns.
Em Salvador, estima-se que cerca de 77 mil pessoas sofram com a doença, o que representa 3% da população. O diagnóstico é um desafio à parte: por ser essencialmente clínico, muitos pacientes passam anos em consultórios médicos sem respostas, enfrentando a descrença de profissionais e familiares diante de uma dor que ninguém vê.
A presidente da Associação de Pessoas com Fibromialgia de Salvador (AFIBS), Silvia Ribeiro, relata que levou cinco anos para descobrir o que tinha. Para ela, o diagnóstico funciona como um processo de luto, já que a pessoa perde a capacidade de realizar tarefas simples do dia a dia e precisa reaprender a viver com limitações severas.
Os dados mostram que as mulheres são as principais vítimas, representando entre 70% e 90% dos casos. Além do impacto físico, a fibromialgia costuma vir acompanhada de quadros de depressão e ansiedade, causados pelo isolamento social e pela perda da funcionalidade no trabalho e na vida pessoal.
Com a nova legislação em vigor desde o início do ano, os pacientes agora são equiparados a Pessoas com Deficiência (PcD). Isso facilita o acesso a direitos sociais e médicos, ajudando a combater a negligência que ainda cerca o tratamento da doença no sistema de saúde.
O objetivo das associações agora é ampliar a conscientização para que o atendimento seja humanizado. Como a fibromialgia não causa deformidades visíveis, a educação da sociedade é a principal ferramenta para que o respeito ao paciente saia do papel e vire realidade nas filas e serviços públicos.




