O endividamento das famílias brasileiras voltou a subir e atingiu um novo recorde no mês de abril. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,9% dos lares no país possuem algum tipo de dívida.
O levantamento considera como dívidas as contas a vencer no cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, empréstimos pessoais e prestações de carro ou casa. Em março, esse índice era de 80,4%, o que confirma a tendência de alta nas despesas dos brasileiros.
A situação é mais crítica entre as famílias que ganham até três salários mínimos. Nesse grupo, o total de endividados saltou de 82,9% para 83,6% em apenas um mês. No entanto, o aumento não poupou ninguém e foi registrado em todas as faixas de renda, inclusive para quem ganha mais de 10 salários mínimos.
Sobre as contas já atrasadas, o índice de inadimplência teve uma leve variação, passando de 29,6% para 29,7%. O dado que mais preocupa é que quase metade dos inadimplentes, cerca de 49,5%, relatou possuir dívidas que já estão vencidas há mais de 90 dias.
Apesar do crescimento no número de pessoas com contas a pagar, a CNC avalia que há uma estabilidade no número de famílias que afirmam não ter condições de quitar os débitos. Esse grupo se manteve em 12,3%, o mesmo valor registrado no mês anterior.
Para os analistas da Confederação, os resultados mostram uma acomodação financeira. Embora mais pessoas estejam usando o crédito, o que aumenta o endividamento, não houve um estouro drástico na falta de pagamentos, mantendo a inadimplência em níveis controlados por enquanto.




