A rotina de centenas de famílias que vivem da pesca e do turismo na praia de São Tomé de Paripe virou um pesadelo. Há mais de dois meses, uma contaminação química mudou a cor da água para tons de amarelo e azul, matando peixes e mariscos. O desastre ambiental afastou banhistas e proibiu o trabalho de quem tira o sustento do mar.
O impacto atinge cerca de 600 famílias diretamente. Sem poder pescar ou vender para turistas, profissionais tradicionais estão sendo empurrados para a miséria. Segundo a associação local, pescadores experientes agora precisam catar latinhas e papelão nas ruas para conseguir colocar comida na mesa.
O medo da contaminação destruiu a confiança dos consumidores. Mesmo quem busca peixes em outras áreas não consegue vender na Feira de Paripe, pois a população teme se intoxicar. O comércio nas areias também quebrou, deixando barraqueiros e ambulantes totalmente sem renda desde o início da crise.
Um laudo do Inema confirmou a presença de substâncias perigosas como Nitrato e Cobre na região. A suspeita é que o problema venha de depósitos de materiais em um terminal portuário. Enquanto as empresas envolvidas trocam acusações e negam a culpa, o material tóxico segue acumulado sem a limpeza adequada.
A comunidade reclama do abandono por parte das autoridades. A última ajuda oficial, com cestas básicas, aconteceu apenas no início de abril. Lideranças afirmam que a assistência foi insuficiente e cobram agilidade na punição dos culpados e na recuperação da praia para que possam voltar ao trabalho.
A Secretaria Municipal de Saúde mantém o alerta para que ninguém tome banho de mar ou consuma qualquer pescado vindo daquela área. O contato com a água contaminada pode causar irritações graves na pele e problemas gastrointestinais severos.




