A Justiça do Trabalho determinou a anulação imediata da eleição do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed-BA), afastando toda a atual diretoria de suas funções. A decisão, proferida neste domingo (26), também declarou que os integrantes da gestão afastada estão inelegíveis para novos pleitos na entidade.
O tribunal identificou graves falhas no processo eleitoral, incluindo a invalidação da comissão que organizou a votação. Entre as irregularidades mais chocantes está a lista de votantes: o documento continha cerca de 630 nomes, mas ignorava mais de mil médicos e trazia registros de pessoas que nem sequer eram da área ou que já haviam falecido.
Além da confusão com os votos, a prestação de contas da diretoria foi rejeitada. O processo destaca o uso de aproximadamente R$ 919 mil para o pagamento de salários a dirigentes, sem contar valores extras como diárias e ajudas de custo. Há também denúncias de empréstimos feitos com dinheiro do sindicato para membros da gestão sem autorização.
Com o afastamento da cúpula, o Conselho Fiscal do Sindimed-BA tem o prazo de cinco dias para convocar uma assembleia geral. O objetivo é escolher uma comissão provisória que vai administrar o sindicato temporariamente e organizar uma nova eleição com transparência.
Para o médico Tiago Almeida, autor das denúncias e representante do Movimento Reconstruir o Sindimed, a intervenção judicial era necessária para garantir a legalidade da instituição. Segundo ele, a diretoria não possuía mais condições jurídicas de representar a categoria após o comprometimento do pleito.




