A Neoenergia, empresa que controla a Coelba, fechou o último ano com um lucro líquido impressionante de R$ 5 bilhões. Somente a operação na Bahia foi responsável por quase R$ 2 bilhões desse montante, registrando um crescimento de 8% nos ganhos em comparação ao ano anterior.
Apesar do faturamento alto, a renovação da concessão para a Neoenergia continuar operando no estado até 2057 foi oficializada pelo Ministério de Minas e Energia sem a previsão de novos pagamentos. A decisão ignora críticas severas de deputados da Assembleia Legislativa da Bahia, que sugeriram a abertura de uma nova licitação.
O serviço prestado pela concessionária é alvo de constantes reclamações dos baianos. Entre os problemas apontados estão as quedas frequentes de energia, o aumento nas tarifas e a dificuldade de atendimento em áreas produtivas. A empresa acumula mais de 44 mil ações judiciais e lidera rankings de queixas no Procon.
Casos recentes reforçam a insatisfação da população. Em Xique-Xique, os moradores chegaram a ficar 16 horas sem luz após uma falha em um transformador. Na cidade de Belmonte, a Justiça precisou intervir para que a empresa tomasse medidas imediatas contra apagões que ocorriam em qualquer dia da semana.
A Coelba foi privatizada em 1997 e, desde então, é gerida pelo grupo espanhol. O contrato original previa a renovação por mais 30 anos, cláusula que foi agora acionada, garantindo a permanência da empresa na Bahia mesmo diante do relatório parlamentar que apontou graves falhas estruturais no serviço.




