Empresa farmacêutica brasileira investe em plataforma tecnológica e amplia produção para liderar o segmento de medicamentos similares à Ozempic no país.
| Foto: Ronny Santos/Folhapress | |
Em entrevista à VEJA NEGÓCIOS, Carlos Sanchez, presidente do conselho de administração e principal acionista da EMS, detalhou a transição do grupo do mercado de genéricos — do qual se tornou líder nos anos 2000 — para a produção nacional de medicamentos de alta complexidade e proteção à propriedade intelectual. A farmacêutica tornou-se a primeira empresa no Brasil licenciada para produzir e comercializar versões similares de canetas para tratamento de diabetes e obesidade (análogos de GLP-1), como o Ozempic.
Visão Geral e Principais Pontos da Entrevista á Veja:
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Planejamento e Infraestrutura: A entrada na tecnologia de peptídeos exigiu uma preparação de mais de dez anos e aportes superiores a R$ 1,2 bilhão. O projeto culminou na inauguração, em 2024, da primeira fábrica de peptídeos do país, em Hortolândia (SP), com capacidade inicial de 20 milhões de canetas ao ano (expansível até 40 milhões).
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Desempenho no Mercado Nacional: A linha contempla os medicamentos Olire e Lirux (liraglutida) e o Ozivy (semaglutida). Lançado em junho, o Ozivy atingiu em dois meses a posição de 6º medicamento de prescrição médica mais vendido no país.
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Internacionalização e Novas Moléculas: A infraestrutura de peptídeos foi projetada como plataforma flexível para múltiplos princípios ativos. A EMS já formalizou pedido junto ao órgão regulador dos Estados Unidos (FDA) para comercializar a tirzepatida (molécula do Mounjaro) no mercado americano, antecipando-se à expiração da patente brasileira.
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Dinâmica de Preços e Impacto Social: Com o fim das patentes e a chegada de similares nacionais, os produtos chegam às farmácias com descontos de cerca de 60% em relação às marcas de referência. A ampliação do abastecimento reduz a escassez, combate o mercado informal e tende a baratear progressivamente os tratamentos.
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Uso Responsável e Acompanhamento Médico: Sanchez reforça que os injetáveis não devem ser tratados como solução rápida ou atalho estético. O uso exige prescrição, avaliação clínica contínua, refrigeração adequada e deve ser integrado a mudanças no estilo de vida, como reeducação alimentar e exercícios.
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Desenvolvimento Científico e SUS: O executivo destacou que a indústria farmacêutica nacional evoluiu na produção de biotecnologia, mas defendeu maior integração entre empresas, universidades e setor público. Apontou ainda o fortalecimento da produção nacional como fator chave para garantir a soberania do Sistema Único de Saúde (SUS) e responder aos desafios do envelhecimento da população brasileira.
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