quinta-feira, 10, setembro, 2026
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‘Dark Horse’: Gastos com filme sobre Bolsonaro coincidem com envio de emendas de Mario Frias para produtora, aponta PF

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Foto: Reprodução | 


A Polícia Federal identificou uma relação direta de datas entre a produção do longa-metragem ‘Dark Horse’ e o direcionamento de recursos governamentais efetuado pelo deputado federal Mario Frias (PL-RJ) para entidades administradas pela produtora da obra, Karina Gama. Os levantamentos policiais apontam que cerca de R$ 2 milhões originados de emendas parlamentares podem ter sido desviados para custear despesas pessoais e logísticas da equipe de filmagem, incluindo refeições e estadias em hotéis de alto padrão na capital paulista no final de 2025. A intervenção judicial partiu de determinação do Supremo Tribunal Federal no contexto da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10). As informações são do G1 e foram publicadas pela Rede Seta.


| Investigação aponta uso de emendas para custeio de infraestrutura cinematográfica


O relatório elaborado pelos investigadores destaca que as datas de gravação do projeto do filme coincidem rigorosamente com o período em que a empresa Go Up Entertainment registrou movimentações financeiras atípicas. Entre os meses de novembro e dezembro de 2025, a produtora movimentou mais de R$ 19 milhões. O documento destaca trechos sobre essa sincronia de fatos:


“Nesse sentido, segundo fontes abertas, o filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras”, diz o relatório da PF.


| Transações financeiras suspeitas envolvendo o parlamentar e empresas parceiras


As apurações policiais colocam em dúvida a origem do capital utilizado em remessas diretas efetuadas pelo próprio deputado para a produtora do filme, além de apontar triangulações financeiras com outras companhias.


  • A PF registrou uma transferência de R$ 645,4 mil realizada por Mario Frias para a Go Up Entertainment.


  • Os analistas questionam a viabilidade da transação, considerando que os ganhos mensais do parlamentar são de R$ 44.008,52.


  • Uma firma chamada NTT Brasil repassou R$ 750 mil para a produtora durante o mesmo intervalo.


  • Esse montante se assemelha aos R$ 700 mil pagos pelo Instituto Conhecer Brasil a empresas do mesmo conglomerado empresarial.


  • O órgão policial cita textualmente no documento: “Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”.


| Imposição de medidas cautelares e alcance das buscas policiais


Diante dos indícios apresentados pela investigação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, o ministro Flávio Dino determinou o cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão, além de aplicar restrições aos investigados.


  • Foram autorizados 49 mandados de busca e apreensão cobrindo os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e o Distrito Federal.


  • O deputado Mario Frias está proibido de se ausentar do país e de manter qualquer tipo de contato com os outros envolvidos.


  • As entidades Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, ambas dirigidas por Karina Gama, foram alvos centrais dos mandados.


  • As apurações também identificaram indicações de emendas assinadas pelos parlamentares Marcos Pollon e Bia Kicis para as ONGs da empresária, embora esses montantes não tenham sido quitados.
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