domingo, 6, setembro, 2026
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Aumento nos preços médios sustentou alta de 12,1% nas exportações brasileiras para os EUA em agosto

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No mês de entrada em vigor das novas tarifas alfandegárias aplicadas pelo governo de Donald Trump, a valorização dos preços médios garantiu o crescimento do valor total das vendas brasileiras para os Estados Unidos. Em agosto, as exportações para o país somaram US$ 3,190 bilhões — um avanço de 12,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando totalizaram US$ 2,845 bilhões.
Segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o desempenho financeiro foi impulsionado pelo aumento de 8,6% nos preços dos produtos exportados. Entre os itens de maior contribuição para o resultado em valor estão aeronaves e equipamentos associados, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, cal, cimento e materiais de construção, tubos de ferro ou aço, celulose e café. Vale destacar que aeronaves e carne bovina integraram a lista de exceções às novas tarifas impostas pelos norte-americanos.
Desempenho em volume e acumulado do ano
Apesar da elevação nos preços médios, o volume total embarcado para os Estados Unidos registrou queda de 3,1% em agosto. No acumulado de janeiro a agosto, os embarques caíram 13,6% em volume e 9,7% em valor, totalizando US$ 24,105 bilhões.
As importações de produtos norte-americanos pelo Brasil também recuaram no ano, somando US$ 27,316 bilhões nos primeiros oito meses (-8,6% em relação a 2025). O cenário gerou um déficit comercial brasileiro de US$ 3,211 bilhões com os EUA no período. Isoladamente em agosto, as compras vindas dos EUA subiram 1,1% (US$ 4,014 bilhões), resultando em um saldo negativo de US$ 824 milhões para a balança bilateral do mês.
O Mdic informa que pouco mais de 20% do comércio com os norte-americanos foi impactado diretamente pelas tarifas. Segundo Brandão, oscilações no fluxo comercial são esperadas diante do cenário de incertezas e de interferências no mercado. Ele ponderou ainda que é cedo para avaliar se haverá redirecionamento significativo das exportações brasileiras para outros destinos.
Crescimento expressivo no comércio com a União Europeia
Em contrapartida às oscilações no comércio com os EUA, as exportações brasileiras para a União Europeia registraram alta de 46,4% em valor em agosto, somando US$ 5,82 bilhões. O volume total exportado para o bloco cresceu 30,3%.
Os produtos mais embarcados para os europeus foram petróleo, cobre, soja, óleos combustíveis, café, tabaco e carne bovina. De acordo com o Mdic, a expansão é explicada pela alta competitividade dos produtos brasileiros, pelo aumento da demanda por combustíveis (decorrente dos conflitos no Oriente Médio), pelo aquecimento do setor de tecnologia (impulsionando o mercado de cobre) e por relatos iniciais do impacto do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Panorama geral da balança comercial
A balança comercial brasileira encerrou o mês de agosto com superávit global de US$ 7,39 bilhões, valor 23,8% superior ao registrado em agosto de 2025. Entre os principais parceiros comerciais do país, os Estados Unidos figuraram como o único a registrar déficit para o Brasil no mês. No acumulado de janeiro a agosto, o saldo positivo do comércio exterior brasileiro atingiu US$ 55,32 bilhões, alta de 28,2% frente ao mesmo período do ano anterior.
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