A Arena Fonte Nova amanheceu em clima de tensão neste domingo (17). Horas antes da partida entre o Bahia e o Grêmio, válida pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, torcedores espalharam faixas com mensagens de protesto e ameaças diretas aos jogadores do clube tricolor.
Entre os textos exibidos estavam frases como “contratem mais seguranças”, “o terror vai começar”, “time pipoqueiro” e “não existe lugar seguro para vocês, vai morrer”. As imagens rapidamente circularam nas redes sociais e repercutiram em todo o país.
A manifestação ocorre num dos piores momentos do Bahia na temporada. Com seis jogos sem vencer, o clube agora tem apenas o Brasileirão para disputar no restante do ano. O clube chegou ao confronto acumulando seis partidas sem vitória, além das eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil.
A crise se aprofundou na última quarta-feira (14), quando o Bahia foi eliminado pelo Remo na Copa do Brasil. A eliminação representou perda esportiva importante — o time deixou a Copa do Brasil antes das oitavas, após sofrer cinco gols e não conseguir impor a diferença técnica esperada contra o adversário paraense.
O ambiente de hostilidade não é novo. Após a eliminação para o Remo, a torcida passou a cobrar com intensidade jogadores e comissão técnica. O jogador Rodrigo Nestor desabafou sobre a situação, dizendo que os atletas vêm enfrentando semanas difíceis e que alguns não podem nem sair de casa por medo.
A sequência negativa aumentou a pressão sobre jogadores, comissão técnica e diretoria, principalmente após o desempenho abaixo das expectativas nas competições nacionais e internacionais. A eliminação precoce representa um duro golpe para um projeto que tentava consolidar o Bahia entre os clubes mais competitivos do país — e o clube também deixou escapar uma oportunidade importante de fortalecimento financeiro.
O jogo contra o Grêmio neste domingo, às 16h, na Fonte Nova, é visto como um momento decisivo. O Bahia possui desfalques pontuais: Caio Alexandre, Ronaldo e Ruan Pablo estão fora, e Willian José é dúvida. Algumas mudanças promovidas por Rogério Ceni na partida contra o Remo podem ser mantidas, como as entradas de Iago Borduchi e Marcos Victor.
Ameaças a atletas configuram crime previsto no Código Penal brasileiro e podem resultar em detenção de um a seis meses para os responsáveis. Não há, até o momento, registro de nota oficial do clube sobre os atos desta manhã.




