Um vídeo publicado nas redes sociais na noite de terça-feira, 13 de maio, desencadeou a exoneração do chefe da Guarda Municipal de Jaguaquara, no Vale do Jiquiriçá, sudoeste da Bahia. A mulher identificada como Maryzélia aparece na gravação exibindo hematomas pelo corpo e relatando ter sido agredida fisicamente pelo então companheiro, José de Souza, conhecido na cidade como “Zé da Guarda”.
O caso rapidamente mobilizou moradores do município. As imagens ganharam as redes sociais e geraram grande repercussão local. Na gravação, a mulher é direta: ela relata o episódio e exibe marcas pelo corpo, declarando ter ido comunicar uma agressão física praticada pelo companheiro, o chefe da Guarda, e que estava “toda cheia de hematoma”.
Segundo informações divulgadas pelo A Tarde, a vítima afirmou que as agressões teriam ocorrido em três ocasiões diferentes, sendo a mais recente na noite da terça-feira. Ela teria tentado registrar boletim de ocorrência, mas não encontrou delegado plantonista na unidade policial.
Em nota, a Prefeitura de Jaguaquara informou que tomou conhecimento da publicação e decidiu pela exoneração sumária do servidor da função de direção da corporação. A gestão municipal destacou que, embora respeite os procedimentos investigativos e judiciais que decorrerão do caso, a medida adotada segue os princípios e o posicionamento da administração diante de situações dessa natureza.
José de Souza atuava como chefe da Guarda Municipal de Jaguaquara desde a gestão anterior, na administração de Giuliano Martinelli (PP), e permaneceu no cargo com Edione Oliveira (PT) até esta quarta-feira. A exoneração, portanto, encerra uma trajetória que atravessou pelo menos duas gestões municipais.
O servidor citado nega as acusações de agressão. Ao blog parceiro do Bahia Notícias, o agora ex-chefe da Guarda disse que a ex-companheira não aceitava o fim do relacionamento. Segundo ele, após uma conversa, ela teria passado a agredi-lo, chegando a pegar uma faca e, em determinado momento, um jarro, tentando atingir o seu pescoço. Ele afirmou ter se defendido e disse ter feito exame de corpo de delito, garantindo que o laudo mostrará a verdade.
A Polícia Civil foi procurada para se manifestar sobre o caso, mas não havia retornado até o fechamento das matérias publicadas. A apuração dos fatos deve seguir pelas autoridades competentes, conforme destacou a própria prefeitura em sua nota.
Para moradores da cidade, o caso reacende o debate sobre violência doméstica e transparência no funcionamento da Guarda Municipal. O episódio também expõe um problema recorrente no interior baiano: a dificuldade de acesso ao atendimento policial em horários noturnos, quando vítimas precisam de plantão disponível para registrar ocorrências.
Mulheres em situação de violência doméstica podem acionar o Ligue 180, central de atendimento à mulher disponível 24 horas, ou buscar a Delegacia da Mulher mais próxima. Em casos de risco imediato, o número é o 190 (Polícia Militar).




