Juliana Garcia, de 35 anos, sobrevivente do ataque com 61 socos dentro de um elevador em Natal (RN), denunciou nas redes sociais uma nova ameaça recebida após anunciar sua filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em publicação no Instagram, ela exibiu o print da mensagem: “Você tem é que tomar 122 socos dessa vez para ficar sem a cabeça, sua puta petista”.
Em resposta ao agressor virtual, Juliana escreveu: “Exemplo típico de cidadão de bem. Esse vai responder juridicamente. Mas antes ele vai ficar famoso, sim. E ainda querem barrar a lei da misoginia”.
A filiação ao PT do Rio Grande do Norte foi anunciada na sexta-feira (8) pela presidente estadual do partido, Samanda Alves. A dirigente classificou a chegada de Juliana à legenda como um gesto simbólico na luta contra a violência de gênero. “É um privilégio fazer parte dos que lutam pela classe que mantém o Brasil de pé. Representar quem é base e alicerce é gratificante demais”, afirmou Juliana sobre a decisão.
Juliana foi agredida em 26 de julho de 2025, dentro do elevador de um prédio no bairro Ponta Negra, zona sul de Natal. O ataque, registrado pelas câmeras de segurança, durou cerca de 36 segundos e foi cometido pelo então namorado, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Cabral. A discussão começou na área de lazer do condomínio, quando ele arremessou o celular dela na piscina.
A vítima teve diversos ossos da face fraturados e passou por cirurgia de reconstrução facial no Hospital Universitário Onofre Lopes, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em entrevistas concedidas durante a recuperação, ela relatou que o relacionamento, de quase dois anos, era marcado por controle e ciúme excessivos do parceiro.
Igor Eduardo Cabral está preso desde 28 de julho de 2025, na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim (RN). Em 7 de agosto, o Ministério Público do Rio Grande do Norte teve a denúncia aceita pela Justiça e ele se tornou réu por tentativa de feminicídio.
Desde a recuperação, Juliana tem usado as redes sociais para falar sobre violência contra a mulher e cobrar avanços na legislação sobre misoginia. A nova ameaça, segundo ela, reforça a necessidade de responsabilização criminal de agressores também no ambiente virtual.




