Servidoras do Conjunto Penal Feminino de Salvador, localizado no Complexo da Mata Escura, protocolaram uma denúncia grave contra a atual gestão da unidade. Elas relatam um cenário de assédio moral, desvio de funções e um quadro de adoecimento coletivo entre as trabalhadoras.
Em um ofício enviado à Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia (Seap), o grupo detalha que a rotina é marcada por desrespeito e falta de transparência. Segundo os relatos, as agentes trabalham no escuro, sem saber sequer o histórico criminal ou o estado de saúde das internas com quem lidam diariamente.
As funcionárias afirmam que vivem sob uma espécie de “roleta russa”, com medo constante de punições injustas ou transferências repentinas. O documento aponta que nomes de servidores estariam sendo enviados à Corregedoria sem fundamentos jurídicos, apenas como forma de retaliação.
Outro ponto crítico é a segurança dentro do presídio. As servidoras denunciaram visitas de advogados fora do horário permitido e postos de trabalho vazios devido ao acúmulo de tarefas. Para elas, a desorganização da diretoria gera um risco real para a segurança de todos no complexo.
A Seap respondeu que a reunião solicitada pelas servidoras não ocorreu por falta de agenda. A secretaria alegou ainda que, após a transferência de algumas funcionárias, o pedido inicial perdeu o sentido, embora afirme estar aberta ao diálogo e reforçando o efetivo com novos policiais penais.
Por outro lado, as trabalhadoras classificaram as transferências como uma “remoção covarde” para desarticular o movimento. Relatos de coação para não registrar ocorrências também foram mencionados por servidores de outras unidades do mesmo complexo, como a Cadeia Pública e a Penitenciária Lemos de Brito.




