A privacidade dos usuários de internet está no centro de uma queda de braço entre o Google e a União Europeia. A empresa alertou que uma nova proposta de lei pode expor dados sensíveis de quem usa o buscador, facilitando o acesso de concorrentes e até de empresas de inteligência artificial, como a OpenAI.
O cientista Sergei Vassilvitskii, uma das maiores autoridades técnicas do Google, afirmou que as medidas de proteção sugeridas pelas autoridades europeias são frágeis. Segundo ele, testes internos mostraram que é possível identificar pessoas em menos de duas horas usando apenas os dados que seriam compartilhados com rivais.
A polêmica envolve a Lei dos Mercados Digitais, que tenta diminuir o domínio das grandes empresas de tecnologia. A regra quer obrigar o Google a liberar informações sobre termos pesquisados, cliques e rankings para que empresas menores possam competir em pé de igualdade no mercado digital.
Apesar da intenção de aumentar a concorrência, o Google argumenta que as ferramentas modernas de IA conseguem reconstruir identidades mesmo quando os nomes são removidos dos bancos de dados. Para a empresa, o compartilhamento sob essas condições é um risco direto à segurança de quem navega.
Representantes da companhia devem se reunir com reguladores nos próximos dias para apresentar provas de vulnerabilidade. O objetivo é convencer o governo a criar mecanismos de proteção muito mais rígidos antes que a lei seja finalizada e entre em vigor.
O prazo final para a decisão das autoridades europeias é o dia 27 de julho. Caso o Google não cumpra as futuras determinações, a empresa poderá enfrentar multas pesadíssimas, que podem chegar a 10% do seu faturamento anual em todo o mundo.




