A investigação sobre a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, revelou que a médica responsável pelo atendimento vendia produtos de maquiagem pelo celular enquanto a criança agonizava após receber uma dose intravenosa de adrenalina em um hospital de Manaus. O caso ocorreu no Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia, no dia 22 de novembro de 2025, e a criança morreu na madrugada do dia seguinte.
Segundo o inquérito policial concluído pela Polícia Civil do Amazonas, o celular da médica Juliana Brasil foi apreendido e as conversas extraídas mostram que, às 15h46, no ápice da crise do paciente, ela trocava mensagens sobre venda de cosméticos, enviava sua chave Pix e combinava a entrega dos produtos. Apenas um minuto depois, às 15h47, ela retomou o contato com a equipe médica para receber instruções de socorro. A frase “Sim, era 200, deixei 190 pra você” foi identificada nas mensagens durante o período crítico.
Benício havia dado entrada no hospital às 13h30 com tosse seca, febre e suspeita de laringite. O quadro não foi classificado como grave na triagem. Por volta das 14h29, a técnica de enfermagem Raíza Bentes aplicou adrenalina pura, sem diluição, diretamente na veia da criança, conforme prescrição da médica. O medicamento deveria ter sido administrado por nebulização. Minutos após a aplicação, o menino passou mal e foi transferido para a “sala vermelha”. Ele sofreu múltiplas paradas cardíacas e morreu cerca de 14 horas depois, na UTI.
A investigação apontou ainda que um vídeo das câmeras do hospital foi adulterado e apresentado pela defesa de Juliana ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e à imprensa com o objetivo de induzir uma interpretação incorreta sobre a administração do medicamento. Segundo a polícia, a produção do material adulterado foi realizada pela irmã da médica e por outra profissional de saúde. A conduta pode configurar crime de fraude processual.
O inquérito pediu o indiciamento de Juliana Brasil por homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica. A técnica de enfermagem Raíza Bentes e dois diretores do hospital também foram indiciados. Perícias confirmaram que o quadro de Benício se tornou irreversível após a overdose de adrenalina e que não houve erro na conduta da equipe de UTI.
A defesa de Juliana sustenta que o sistema de prescrição do hospital apresentou falhas e que, no momento das mensagens, Benício já não era mais sua responsabilidade. A mãe da criança, Joyce Xavier, afirmou ao programa Fantástico que a família quer punição dos envolvidos para que outras famílias não passem pelo mesmo.




