O mercado de medicamentos para emagrecimento, conhecido pelas famosas ‘canetas’, está prestes a passar por uma transformação no bolso do consumidor. Com o fim da patente da semaglutida, princípio ativo de remédios como o Ozempic, o caminho está livre para a fabricação de versões genéricas e biossimilares com preços reduzidos.
Atualmente, o tratamento é restrito a quem pode pagar valores que ultrapassam R$ 1 mil mensais. Especialistas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia acreditam que essa queda no preço pode popularizar o uso e até levar o SUS a discutir a viabilidade de oferecer o medicamento na rede pública.
A tecnologia dessas canetas funciona como uma ‘reprogramação’ no cérebro. Elas imitam o hormônio GLP-1, que o corpo libera após comer para avisar que estamos satisfeitos. Enquanto o hormônio natural dura apenas dois minutos, a versão sintética resiste por dias, silenciando a fome constante.
A evolução desses remédios já chegou à terceira geração. Enquanto as primeiras versões exigiam aplicações diárias, as mais modernas, como a tirzepatida, precisam de apenas uma dose semanal e agem em dois receptores diferentes do corpo, prometendo resultados próximos aos de uma cirurgia bariátrica.
Apesar do sucesso, o uso exige cautela e acompanhamento médico. Como o remédio retarda o esvaziamento do estômago, efeitos como náuseas, vômitos e diarreia atingem um em cada três usuários. O ajuste gradual da dose é fundamental para reduzir esses desconfortos.
No Brasil, a farmacêutica EMS já deu o primeiro passo com o lançamento de uma opção nacional baseada em liraglutida com valor reduzido. A expectativa é que, com mais concorrência, o acesso a esses tratamentos deixe de ser um privilégio de poucos e chegue às massas.




