O projeto da Ponte Salvador-Itaparica passou por uma mudança importante nos bastidores com a troca do seu diretor-presidente. O executivo chinês Lu Guannan assumiu o cargo no lugar de Cláudio Villas Boas, em uma manobra que indica pressa dos acionistas para destravar as licenças da obra.
Enquanto a chefia mudava, o Inema autorizou a retirada de mais de 3,7 milhões de metros cúbicos de areia e lama do fundo da Baía de Todos-os-Santos. A dragagem, que chega a 15,5 metros de profundidade, virou alvo de polêmica por ter sido liberada sem a apresentação de estudos de impacto ambiental detalhados.
Especialistas e grupos de proteção ao meio ambiente alertam que mexer no fundo do mar dessa forma pode espalhar sujeira e contaminantes na água. Isso prejudica diretamente a vida marinha e o trabalho de quem vive da pesca e da coleta de mariscos na região.
A situação foi parar na justiça com uma denúncia protocolada no Ministério Público da Bahia. O pedido é para que a autorização da dragagem seja suspensa imediatamente até que todos os riscos para a natureza e para as comunidades locais sejam devidamente avaliados.
Um dos pontos mais criticados é que a licença para o buraco no mar foi dada de forma separada do restante da obra da ponte. Para técnicos da área, isso ignora o impacto total que a construção terá na baía, o que pode ferir normas ambientais vigentes.
Além da questão da natureza, o Iphan também cobra respostas sobre o patrimônio histórico da área. Com o novo presidente, o consórcio tenta agora correr contra o tempo para resolver essas pendências e finalmente tirar o projeto do papel.




