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“Eu to aqui com as cinco bandoleiras que ele pediu… as granadas e a munição de 5.56…”
O homem que aparece nas conversas é o cabo Deivison dos Santos Ferreira. Segundo a investigação, ele fazia ofertas de munições utilizadas em armas de guerra e até de granadas.
Com autorização da Justiça, os investigadores fizeram a extração dos dados dos celulares apreendidos. Em um dos aparelhos, encontraram conversas que indicavam que o cabo negociava armamento e munições do Exército.
Em outro áudio, Deivison fala sobre a quantidade de munições que poderia entregar:
“Hoje só vai poder rolar essas seis de 9mm.” Em uma negociação, o militar também informa o preço: “Quatrocentos e cinquenta cada uma.”
Cabo usava emoji para esconder identidade
O celular que revelou a conexão pertencia a Gabriel Reis Oliveira. Segundo a polícia, ele era uma espécie de gerente de uma organização criminosa e responsável pela compra e revenda de armas e drogas para diferentes facções.
Era com Gabriel que, segundo a investigação, o cabo negociava o material desviado.
Para tentar esconder a identidade do militar, Deivison não aparecia com o próprio nome nas negociações nem na lista de contatos do comprador. Ele era identificado apenas por um emoji de extraterrestre.
Apesar disso, segundo os investigadores, o cabo forneceu dados reais, como CPF e chave Pix, para que os criminosos realizassem os pagamentos.
Em um dos áudios, ele negocia a venda de caixas de munição 5.56: “Qualquer trinta caixas de 5.56 aí, eu passo pra você a novecentos e cinquenta”.
A polícia ainda não conseguiu identificar quantas granadas teriam sido desviadas do Exército. Os valores negociados, porém, aparecem nas gravações. “Eu tava passando a quinhentos.”
Suspeita é de desvio durante treinamentos
A principal suspeita dos investigadores é de que o material fosse desviado durante treinamentos militares.
O que sobrava dos exercícios deveria ser devolvido ao paiol da unidade. Segundo a investigação, porém, nem todo o material retornava. Os investigadores acreditam que os registros eram alterados para fazer parecer que não havia ocorrido nenhum desaparecimento.
Em um dos áudios, Deivison menciona um treinamento que seria realizado em Paulo Afonso, no interior da Bahia:
Militar também negociava armas
A investigação também descobriu que o cabo negociava armas com criminosos. Os investigadores, no entanto, ainda não sabem se essas armas também foram desviadas do Exército.
Em uma das conversas, Deivison fala sobre uma pistola: “Vê a situação dessa pistola pra gente ganhar essa moeda.” Ele também oferecia aos compradores a possibilidade de testar a arma antes da negociação: “Aí você vem, chega, vê e olha… a gente dispara aqui no fundo, testa.”
Em outro áudio, aparece a negociação de uma pistola e de um fuzil G3. “O cara apareceu com uma TH, aí ia vender por dez e quinhentos.”
Sobre o fuzil G3, o militar afirma: “O cara falou comigo lá que a G3 tá raspada.”
Segundo a investigação, “raspada” significa que a numeração que identifica a arma foi apagada. Deivison afirma conhecer uma pessoa capaz de colocar uma nova numeração falsa na arma.
“E a situação da pistola, velho… porque tá raspada, né? Mas o cara falou que ele renumera. O cara é crânio nessas paradas aí.”
Cabo já estava preso
Nesta semana, uma operação prendeu integrantes da organização criminosa que, segundo a polícia, tinha o cabo Deivison como fornecedor de armamento.
Ao todo, 250 agentes participaram da operação e 33 pessoas foram presas: 27 em Salvador e na Região Metropolitana, duas no interior da Bahia, três em Sergipe e uma em São Paulo.
Um dos mandados era contra Deivison, mas ele já estava preso desde o dia 19 do mês passado, pelo próprio Exército.
O Exército informou que teve conhecimento do novo mandado de prisão, expedido pela Justiça comum, e que o cabo permanecerá na carceragem da unidade militar, à disposição da Justiça.
A Polícia Civil também recuperou um dos coletes. Segundo os investigadores, o material estava com um traficante que morreu em confronto com policiais.
A polícia ainda tenta identificar outras pessoas que teriam participado do desvio de munições e granadas. Em diversas mensagens, Deivison faz referência a possíveis envolvidos.
Em uma delas, ele afirma:
“E as granadas, o cara me passa cada uma a quatrocentos.” Em outra conversa, diz: “O cara me cobrou a oitocentos e cinquenta na caixa.”
Segundo a Polícia Civil da Bahia, ainda é cedo para afirmar que outros integrantes do Exército participavam do esquema, mas a possibilidade não é descartada.




