Policiais militares da Companhia Independente de Polícia e Proteção Ambiental (COPPA) realizaram, no último fim de semana, uma operação de combate ao comércio ilegal de animais silvestres em feiras livres do interior da Bahia. O resultado foi o resgate de 65 animais silvestres e a condução de cinco suspeitos às autoridades policiais.
Em Alagoinhas, foram resgatadas 48 aves silvestres e duas pessoas detidas. Já em Feira de Santana, os policiais militares resgataram 17 aves silvestres e três pessoas foram detidas.
Entre as espécies encontradas estão sabiás, tico-ticos, azulões, papa-capins, cardeais, canários-da-terra, coleirinhos, tiziu, bigodinhos, chupa-laranja, curiós, bicos-de-veludo, brejal, gaturamos e pássaros-pretos. Todas são aves nativas da fauna silvestre brasileira, protegidas por lei.
Os animais apreendidos foram encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde receberão avaliação veterinária e os cuidados necessários antes de uma possível reintegração à natureza. Nesse processo, os animais são submetidos à avaliação veterinária, recebem cuidados clínicos e passam por acompanhamento técnico especializado até estarem aptos a retornar com segurança ao seu habitat natural.
Os cinco detidos foram encaminhados à Polícia Civil, onde a ocorrência foi registrada e foram lavrados Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO), segundo informações divulgadas pelo portal Acorda Cidade. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), a prática de capturar, caçar ou manter em cativeiro animais da fauna silvestre sem autorização configura crime, sujeito a detenção e multa.
O tráfico de animais silvestres continua sendo uma prática criminosa rotineira na Bahia, e as feiras livres surgem como pontos estratégicos para os infratores. Segundo a própria COPPA, esses espaços estão entre os principais alvos das operações de resgate no estado, com destaque para a comercialização ilegal de aves de canto.
As aves de canto são maioria entre os animais capturados por serem as mais lucrativas. Além das feiras, os órgãos fiscalizadores precisam agir em outras áreas usadas pelos traficantes, inclusive no ambiente digital, onde os criminosos já atuam para escoar não só as aves de canto, mas outros animais de maneira ilícita.
Entre 2021 e 2025, mais de 58 mil animais resgatados chegaram aos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Estado, unidades geridas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). O número evidencia a dimensão do problema no território baiano.
Até setembro do ano passado, a Polícia Militar da Bahia havia resgatado 8.471 animais silvestres em poder de criadores irregulares ou traficantes, enquanto a Polícia Rodoviária Federal apreendeu outros 4.343 no mesmo período.
A ação da última semana integra as operações permanentes da Polícia Militar da Bahia no enfrentamento aos crimes ambientais. Quem encontrar animal silvestre ferido ou tiver informações sobre comércio ilegal de animais pode acionar o Cetas pelo WhatsApp (71) 99661-3998.




