O momento difícil do Esporte Clube Bahia na temporada 2026 ganhou repercussão nacional. Durante o programa Redação SporTV, o jornalista Francisco Aiello questionou abertamente qual retorno esportivo o clube baiano está oferecendo ao Grupo City diante do volume de recursos investidos desde a criação da SAF, em 2023.
O ponto de partida da análise são as eliminações recentes. O Bahia foi eliminado na primeira fase da Pré-Libertadores pelo O’Higgins, do Chile, e não conseguiu nem a vaga na fase de grupos da Copa Sul-Americana. Na sequência, o Tricolor saiu derrotado pelo Remo na Copa do Brasil. No Mangueirão, em Belém, o clube até abriu o placar, mas cedeu a virada por 2 a 1 e foi eliminado com placar agregado de 5 a 2.
O impacto financeiro é expressivo. Ao todo, considerando Copa do Brasil e Libertadores, o Bahia soma R$ 4,6 milhões em premiações na temporada 2026. A diferença em relação ao ano anterior é expressiva: em 2025, somando Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana, o Tricolor arrecadou aproximadamente R$ 39,8 milhões em premiações. A queda representa uma redução de mais de 88% nas receitas ligadas a desempenho esportivo.
Com a agenda esvaziada, o clube baiano só disputará o Campeonato Brasileiro no restante do ano. É nesse contexto que Aiello colocou em xeque o planejamento esportivo do Esquadrão. Segundo o jornalista, quem investe espera retorno, seja pela conquista de títulos, seja pela visibilidade de campanhas em torneios continentais. A participação apenas no Brasileirão levanta a pergunta: será que uma vaga na fase de grupos da Libertadores de 2027 basta para satisfazer o tamanho do aporte do Grupo City?
O comentarista também mencionou o trabalho do técnico Rogério Ceni e o debate sobre a continuidade do treinador. Para Aiello, vale acompanhar nos próximos dias se o clube manterá o comando técnico ou se as eliminações acelerarão uma mudança. Depois da derrota para o Remo, o próprio Ceni falou abertamente sobre o tamanho do prejuízo financeiro sofrido pelo clube e destacou que o impacto dificilmente será revertido ainda em 2026. “O que podemos é tentar chegar ao melhor lugar possível em dezembro para ir para Libertadores pelo terceiro ano seguido”, afirmou o treinador.
O investimento do Grupo City no Bahia é um dos maiores do futebol nordestino. O Bahia, gerido pelo Grupo City, tem sido um dos clubes que mais investiu nas últimas duas temporadas, com cerca de R$ 180 milhões em reforços desde 2024. Além disso, desde 2023, considerado o “ano zero” da SAF, o investimento anual nas categorias de base praticamente triplicou. Até 2022, o clube operava com no máximo R$ 10 milhões destinados à base. A partir da entrada do Grupo City, os valores saltaram para R$ 22 milhões em 2023, R$ 25 milhões em 2024 e R$ 27 milhões em 2025.
Do lado positivo, a parceria firmada em maio de 2023 trouxe avanços estruturais. Em menos de um ano, mais de 85% da dívida histórica foi quitada, devolvendo ao Bahia capacidade de investimento e planejamento a longo prazo. O Esquadrão garantiu presença na Libertadores pelo segundo ano consecutivo, algo inédito em sua história, consolidando-se como o clube nordestino com mais presenças no torneio continental. Porém, as quedas precoces em 2026 jogam luz sobre a distância entre o investimento e os resultados esportivos concretos que os acionistas esperam colher.
O debate levantado na SporTV reflete uma tensão crescente em torno do projeto tricolor. Com apenas o Brasileirão pela frente, o Bahia tem até dezembro para mostrar ao Grupo City que o planejamento segue no rumo certo — e para responder, em campo, à questão que o jornalista Francisco Aiello deixou no ar.




