Um empresário de 30 anos, dono de uma distribuidora de medicamentos, segue preso em Feira de Santana suspeito de ter encomendado o roubo de uma carga avaliada em mais de R$ 1,15 milhão. A prisão ocorreu na quarta-feira (13), durante a Operação Cefaleia, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia. Ao todo, três pessoas foram detidas.
Segundo as investigações, o crime aconteceu em março deste ano. Quatro homens armados invadiram uma distribuidora de medicamentos localizada às margens da BR-324, renderam os vigilantes e saíram com cerca de 1,5 milhão de comprimidos do analgésico Dorflex. De acordo com o delegado titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), José Marcos Rios, o empresário teria pago R$ 150 mil para que o grupo executasse o roubo e entregasse a carga.
Os suspeitos não tinham veículo suficiente para transportar os medicamentos. A saída foi roubar um caminhão de uma rede de supermercados. Parte da carga de alimentos que estava no veículo foi jogada fora num terreno baldio no bairro Gabriela, justamente para abrir espaço. Depois do crime, o caminhão foi incendiado às margens da BR-116 para dificultar a identificação dos envolvidos.
Foi a descoberta dessa carga de alimentos abandonada que deu início à investigação. O Núcleo de Inteligência da DRFR cruzou os dados e percebeu que, na mesma data, havia sido registrado o roubo à distribuidora de medicamentos, conectando os dois casos.
O delegado José Marcos explicou que parte dos suspeitos já conhecia a rotina da empresa por dentro. “Alguns deles eram ex-funcionários da empresa e furtavam pequenas quantidades, o que acabava passando despercebido. Depois, decidiram praticar um roubo de grande porte”, disse.
Durante a operação, uma farmácia no bairro Jardim Cruzeiro também foi alvo de busca e apreensão. O proprietário foi preso em flagrante por receptação qualificada, suspeito de ter adquirido parte dos medicamentos roubados. Segundo a polícia, ao menos duas farmácias da cidade compraram comprimidos dessa carga.
Além dos medicamentos, as buscas trouxeram uma descoberta à parte: em um imóvel ligado a um dos suspeitos, os policiais encontraram 15 mil tubos de pólvora negra e 550 caixas de fogos de artifício, avaliados em cerca de R$ 155 mil. O material era armazenado clandestinamente em área residencial.
Até agora, cerca de 30% da carga foi recuperada, o equivalente a R$ 328 mil em comprimidos. A Justiça também determinou a apreensão de dois veículos do empresário, avaliados em R$ 305 mil, e o bloqueio de R$ 533 mil em contas bancárias dos investigados. No total, a Polícia Civil contabiliza cerca de R$ 788 mil em ativos recuperados ou bloqueados.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e ampliar a recuperação da carga.




