O Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, recebeu 924 vítimas de acidentes de motocicleta apenas no primeiro trimestre deste ano. Os dados foram divulgados pela própria direção da unidade por ocasião do Maio Amarelo, campanha internacional de conscientização para a redução de mortes no trânsito.
Segundo a diretora do HGCA, Cristiana França, dos 1.189 acidentes de trânsito registrados no primeiro trimestre deste ano, 924 envolveram motos, o equivalente a cerca de 78% dos casos. O número representa uma média de 300 vítimas por mês apenas nessa categoria, o que coloca os motociclistas como a principal demanda de urgência da unidade.
A diretora destacou que o hospital enfrenta um grande desafio: o aumento significativo nos atendimentos de ortotrauma, especialmente aqueles relacionados a acidentes de motocicleta. Ela ressaltou ainda que os dados do hospital não incluem os atendimentos realizados nas UPAs do município e na UPA estadual, o que indica que o número real de acidentes pode ser ainda maior.
A gravidade das lesões varia conforme o uso do capacete. Segundo Cristiana França, pacientes que chegam sem o equipamento apresentam traumas cranianos e lesões na coluna, especialmente os vindos de municípios do interior. “Grande parte desses pacientes são jovens, em idade produtiva, e enfrentam uma recuperação difícil, com sequelas duradouras. Isso reforça a necessidade urgente de políticas públicas focadas na prevenção de acidentes de moto”, afirmou a diretora.
A sobrecarga no HGCA é direta: o alto número de acidentes compromete a ocupação dos leitos, pois as vítimas demandam mais tempo de internação e recuperação, o que tem causado superlotação na unidade hospitalar. A situação chega a afetar o atendimento de outros pacientes: a falta de leitos impede o recebimento de pacientes com AVC e outras enfermidades transferidos de UPAs e policlínicas, já que os espaços estão ocupados com vítimas do trânsito.
O cenário no HGCA reflete uma tendência estadual preocupante. Em cinco anos, o número de internações causadas por acidentes com motocicletas aumentou 82% na Bahia, segundo dados do DataSUS, passando de 7.625 registros em 2020 para 13.923 em 2025. Do ponto de vista financeiro, os acidentes envolvendo motocicletas geraram um custo de R$ 148,6 milhões para a rede hospitalar da Bahia em 2025, segundo levantamento da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), representando um aumento em relação aos anos anteriores.
A região Centro-Leste da Bahia, que inclui cidades como Feira de Santana, Serrinha e Itaberaba, concentrou o maior impacto financeiro, com R$ 45,7 milhões gastos em 2025, o equivalente a 30,7% do total estadual. Nessa mesma região, as BRs 324, 116 e 101 concentram o maior número de colisões com motocicletas, e os trechos localizados em Feira de Santana lideram os registros de acidentes com veículos de duas rodas.
A PRF confirma o panorama: entre janeiro e dezembro do ano passado, foram registrados 1,6 mil acidentes envolvendo motos nas rodovias federais da Bahia, deixando 1,8 mil pessoas feridas e resultando em 179 mortes. Em 2025, foram registradas 3,9 mil infrações relacionadas à ausência de capacete por ocupantes de motocicletas nas rodovias federais da Bahia.
A partir do dia 11 de maio, Feira de Santana iniciou a Semana de Trânsito em comemoração ao Maio Amarelo, com ações educativas e preventivas para conscientizar os condutores e evitar acidentes no município, com programação até o dia 16 de maio. O tema nacional da campanha deste ano é “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, com foco especial na proteção dos motociclistas.
O HGCA atende Feira de Santana e mais 126 municípios pactuados da região centro-oeste da Bahia, sendo referência de alta complexidade para todo o interior do estado. A diretora Cristiana França reforçou que os dados compilados desde agosto de 2023 servem não apenas para dimensionar o problema local, mas para subsidiar políticas públicas em toda a área de abrangência da unidade.




