O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quinta-feira (14) a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, na região metropolitana de Salvador. A Petrobras celebrou a data como marco da retomada da produção de fertilizantes no estado, com a unidade já operando a 90% de sua capacidade total. O encontro reuniu ministros, representantes da estatal e o governador Jerônimo Rodrigues.
A unidade retomou suas operações em janeiro de 2026, após seis anos de hibernação, com um investimento de R$ 100 milhões pela Petrobras. A Fafen-BA possui capacidade para produzir diariamente 1.300 toneladas de ureia, 1.300 toneladas de amônia e 178 toneladas de Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), insumo utilizado para redução de emissões em veículos movidos a diesel. A fábrica é responsável por atender cerca de 5% da demanda nacional de fertilizantes.
A reativação gera 900 empregos diretos e 2.700 indiretos na região, contribuindo para a segurança alimentar do país e a redução da dependência de importações, que antes atendiam 100% da demanda de ureia.
A meta da Petrobras vai além da Bahia. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que “com a fábrica de Mato Grosso do Sul, com a fábrica do Paraná, com a fábrica de Sergipe e com a fábrica da Bahia, nós vamos produzir 35% dos fertilizantes nitrogenados que o Brasil precisa.” Com Fafen-BA, Fafen Sergipe e Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) já em operação comercial, a Petrobras projeta alcançar cerca de 20% do mercado interno de ureia; com a entrada da UFN-III, em Três Lagoas (MS), a expectativa é chegar a aproximadamente 35% do mercado nacional.
A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras, retomou a produção de amônia em 31 de dezembro de 2025 e de ureia em 3 de janeiro de 2026. Adicionada a Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná, reativada em abril de 2026 com investimento de R$ 870 milhões e capacidade de 720 mil toneladas anuais de ureia, as três unidades da Petrobras passam a responder por cerca de 20% da demanda nacional de ureia. Uma quarta fábrica, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (Mato Grosso do Sul), está em construção, com operação prevista para 2029.
Atualmente, o Brasil depende de importações para cerca de 85% a 90% dos fertilizantes que consome. Essa dependência é estrutural: o país é o quarto maior consumidor global, responsável por cerca de 8% de todo o fertilizante utilizado no mundo. A viabilidade econômica da retomada das Fafens foi possível após a redução do preço do gás natural, que passou de cerca de US$ 16 para entre US$ 6 e US$ 7 por milhão de BTU no mercado livre, segundo Chambriard.
Em discurso, Lula defendeu que a produção interna é uma questão de soberania nacional. O presidente comparou a retomada da Fafen-BA a outros esforços de fortalecimento da indústria nacional, especialmente no setor naval, argumentando que o Brasil abandonou atividades estratégicas ao adotar a lógica de que seria mais barato comprar no exterior do que produzir internamente.
O presidente também criticou a venda de ativos da Petrobras em governos anteriores e disse que a fragmentação da estatal retirou instrumentos importantes de atuação no mercado. A BR Distribuidora, que agora se chama Vibra Distribuidora, foi alienada pela Petrobras entre 2019 e 2021, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula afirmou ainda querer ver a Petrobras de volta ao setor de distribuição de combustíveis.
Além da reativação da Fafen-BA, a Petrobras anunciou outros investimentos na Bahia. O Plano Estratégico da estatal prevê aportes de US$ 3,5 bilhões em exploração e produção no estado, com expectativa de mais que dobrar a produção local, chegando a 30 mil barris de óleo equivalente por dia. Também estão previstos investimentos de R$ 115 milhões na Usina de Biodiesel de Candeias.




