sexta-feira, 15, maio, 2026
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MP de Alagoas vistoria Renasce Salgadinho e constata sistema de saneamento em pleno funcionamento

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Uma força-tarefa do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) realizou, na última quinta-feira (14), uma inspeção técnica nas instalações do Renasce Salgadinho, em Maceió. O objetivo foi avaliar as condições de saneamento, ambientais e urbanísticas do projeto, considerado o maior programa ambiental já executado na capital alagoana.

Os promotores de Justiça Alberto Fonseca, titular da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, e Jorge Dória, da Promotoria do Patrimônio Urbanístico, conduziram a vistoria. Eles foram acompanhados por técnicos do município de Maceió, do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e do Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA).

A equipe visitou o trecho final do Riacho Salgadinho, onde foram executadas intervenções urbanísticas e paisagísticas, além das estações elevatórias localizadas no Vale do Reginaldo — inclusive a principal delas, responsável pelo processo de filtragem dos efluentes. Segundo informações divulgadas pelo Alagoas 24 Horas, os promotores também percorreram os riachos Gulandi e do Sapo, afluentes que integram a bacia hidrográfica do Salgadinho.

“Notamos que o sistema está operante, conforme o que foi planejado, mas o acompanhamento se dará de forma constante, tendo em vista a necessidade de checar a operacionalidade e a manutenção dos equipamentos em todo o sistema”, afirmou o promotor Alberto Fonseca. O promotor Jorge Dória acrescentou que a força-tarefa existe há mais de cinco anos e que, durante esse período, o MPAL cobrou sistematicamente a execução das obras e as melhorias para a população.

Os técnicos municipais explicaram como funciona o sistema em diferentes condições climáticas. Em tempo seco, o efluente passa pelos chamados “jardins filtrantes” — estruturas com plantas aquáticas que extraem a matéria orgânica do líquido. Em seguida, o material tratado é bombeado por um emissário até o sistema de disposição oceânica da BRK. Comportas instaladas na foz do próprio riacho impedem que o efluente chegue ao mar sem tratamento.

Em períodos de chuva intensa, porém, o grande volume de água leva à abertura dessas comportas, e o efluente segue diretamente para o oceano sem passar pelos jardins filtrantes — uma limitação técnica do sistema já prevista no projeto.

O Renasce Salgadinho foi entregue oficialmente pela Prefeitura de Maceió em abril de 2026, encerrando cinco anos de obras. O projeto utilizou 7,4 km de tubulação ao longo de toda a bacia hidrográfica, que inclui os córregos Sapo, Gulandi, Reginaldo, Águas Férreas e Pau D’Arco. Foram construídas cinco estações elevatórias capazes de bombear, em tempo seco, aproximadamente 30 mil litros de esgoto por minuto para a estação de tratamento da BRK, evitando o despejo de poluentes no mar da Praia da Avenida.

O histórico da obra não foi isento de percalços. Em fevereiro de 2025, o MPAL recomendou a paralisação temporária dos serviços após registros de cágados sendo arrastados por enxurradas na área do riacho, o que exigiu o manejo de fauna antes da retomada. O contrato também sofreu quatro aditivos ao longo dos anos, elevando o custo original de R$ 76 milhões para R$ 182,5 milhões. Tanto o MPF quanto o MPAL mantêm procedimentos administrativos abertos para acompanhar a operação do sistema após a entrega.

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