sábado, 16, maio, 2026
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Dnit descarta falha na pista após quatro acidentes graves na BR-324 e aponta imprudência como causa

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Em uma semana, quatro acidentes graves sacudiram um trecho de apenas 15 quilômetros da BR-324, entre Feira de Santana e Amélia Rodrigues, no interior da Bahia. Duas dessas ocorrências resultaram em morte. Mas, para o Dnit, a rodovia não tem culpa.

Na manhã desta quinta-feira (14), o superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) na Bahia, Roberto Alcântara, concedeu entrevista para comentar a vistoria realizada pelo órgão no dia anterior. O tema central: a série de acidentes que vem alarmando motoristas e moradores da região.

Questionado sobre os acidentes recorrentes naquele trecho, o superintendente explicou que grande parte das ocorrências graves na BR-324 acontece por conta da imprudência dos condutores, afastando a possibilidade de haver algum componente estrutural da rodovia contribuindo para os acidentes. A posição foi categórica: “Mais de 90% dos acidentes na BR-324 não são em virtude da condição da rodovia.”

Alcântara reforçou que a maioria dos acidentes são colisões traseiras, provocadas, na maioria esmagadora das vezes, por desatenção. Outro fator apontado por ele é o alto fluxo de veículos no trecho. “Nós vamos ter momentos na rodovia com 5 a 7 mil veículos simultaneamente”, disse o gestor.

O superintendente também falou sobre velocidade. Segundo ele, a rodovia estabelece limite de 110 km/h para veículos leves, e respeitá-lo reduz bastante a probabilidade de acidentes, pois o motorista tem um tempo de resposta mais adequado — risco que aumenta ainda mais em períodos de chuva.

Os quatro acidentes citados ocorreram entre os dias 6 e 12 de maio, todos concentrados no trecho que vai do km 530 ao km 545 da BR-324, das imediações do viaduto da BR-101 até a entrada de Amélia Rodrigues. No dia 6, um carro-forte capotou na altura do km 534, próximo ao viaduto do Bessa, na comunidade de Conceição do Jacuípe. No dia seguinte, duas carretas colidiram no mesmo ponto, bloqueando completamente a pista e causando um engarrafamento de mais de cinco horas.

No dia 10, um motociclista morreu após acidente no km 533, na faixa sentido Feira de Santana–Salvador, próximo ao viaduto da BR-101. E no dia 12 de maio, um homem de 24 anos, identificado como Jeferson Santos de Jesus, morreu no km 545 após seu caminhão bater na traseira de outro veículo.

O superintendente declarou que diversos serviços de melhoria na BR-324, como recapeamento e tapa-buracos, vêm sendo executados, inclusive no trecho em questão. O Dnit assumiu a gestão das BRs 324 e 116 na Bahia em maio de 2025, após o encerramento do contrato com a ViaBahia, passando a isentar os motoristas da cobrança de pedágio nos dois trechos.

A situação também chegou à Câmara Municipal de Amélia Rodrigues. O vereador Zé Silveira demonstrou preocupação com a sequência de acidentes e pediu providências urgentes ao Dnit e ao Governo da Bahia. Ao final do pronunciamento, o parlamentar sugeriu uma nova reunião entre vereadores do município e representantes do Dnit para discutir medidas emergenciais.

Do lado do Dnit, Alcântara reforçou que o órgão registra fotograficamente e investiga todos os acidentes ocorridos nas rodovias federais sob sua gestão — inclusive por precaução jurídica. “Possivelmente, esse acidente posteriormente pode se tornar uma demanda judicial. Alguém pode dizer que o acidente se deu em virtude de o Dnit não ter feito isso ou aquilo. Então, é importante identificar a possível causa”, justificou Alcântara.

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