quinta-feira, 14, maio, 2026
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Agricultores e indígenas fecham BR-428 em Orocó e cobram energia para irrigação no Sertão do São Francisco

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Reassentados do Sistema Itaparica, agricultores familiares e representantes indígenas bloquearam um trecho da BR-428, em Orocó, no Sertão do São Francisco pernambucano, na manhã desta quinta-feira (14). A manifestação ocorreu na altura da entrada do Projeto Brígida e chegou a causar retenção de veículos na rodovia.

Segundo informações divulgadas pelo Blog do Didi Galvão, os manifestantes cobram do Governo Federal e da CHESF a manutenção e a garantia do fornecimento de energia elétrica usada no sistema de bombeamento de água para irrigação dos lotes agrícolas. Entre as exigências está também a liberação do chamado Retrofit, projeto de reabilitação da infraestrutura de irrigação considerado essencial para a continuidade da produção na região.

O Projeto Brígida, em Orocó, é parte do Sistema Itaparica — conjunto de perímetros irrigados operado pela Codevasf ao longo de 150 quilômetros entre Pernambuco e Bahia. Os dez projetos do Sistema Itaparica começaram a ser criados há 40 anos, quando o Governo Federal realocou mais de 10,4 mil famílias que moravam nas áreas usadas para o enchimento do reservatório de Itaparica e a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga, inaugurada pela Chesf em 1988.

A crise do fornecimento de energia não é nova. Em março deste ano, produtores rurais do Projeto Brígida já haviam enfrentado a suspensão do fornecimento elétrico para o sistema de bombeamento, após a Neoenergia Pernambuco realizar o desligamento remoto, afetando diretamente os reassentados que dependem da irrigação para manter suas produções. Sem energia, o abastecimento de água foi interrompido, colocando em risco diversas culturas agrícolas.

Os desligamentos são tão temidos porque podem colocar em risco as lavouras, já que toda a água da região vem do sistema de irrigação, que necessita de energia para o bombeamento. Culturas de ciclo curto, como melancia e hortaliças, podem ter a colheita arruinada em apenas dois ou três dias sem irrigação.

A raiz do problema é financeira e institucional. O custo operacional total dos perímetros irrigados, incluindo manutenção e pagamento de energia, gira em torno de R$ 80 milhões por ano. Só de dívidas de energia, os perímetros acumulam mais de R$ 40 milhões. Há anos, agricultores que foram reassentados denunciam o descumprimento de obrigações contratuais por parte da Chesf, apontando falhas graves na regularização fundiária e na manutenção das infraestruturas de irrigação, que se encontram obsoletas ou sucateadas.

Em 2025, o Governo Federal chegou a anunciar o pagamento de parte dos débitos. A medida permitiu o pagamento de R$ 37,9 milhões referentes aos débitos de energia do Sistema Itaparica junto à Neoenergia. Ainda assim, a situação voltou a se agravar, levando os manifestantes às ruas nesta quinta-feira.

Atualmente, cerca de 25 mil famílias do Sistema Itaparica dependem de subsídios do Governo Federal para manter seus sistemas de irrigação. As famílias reassentadas, distribuídas ao longo de uma faixa de 150 quilômetros entre Pernambuco e Bahia, reclamam da precarização da assistência prestada pela Codevasf e dos cortes de energia que afetam tanto a produção agrícola quanto o abastecimento de água.

Os manifestantes afirmaram, segundo a fonte original, que seguirão cobrando soluções concretas das autoridades responsáveis para evitar prejuízos ainda maiores à produção agrícola da região. O protesto desta quinta-feira reforça uma trajetória de mobilizações que vem se repetindo ao longo dos anos no Sertão do São Francisco, onde agricultores e comunidades indígenas travam uma batalha contínua para garantir o direito básico de irrigar suas terras.

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