Fazer compras no mercado ficou ainda mais caro em abril para as famílias de Juazeiro, na Bahia, e de Petrolina, em Pernambuco. O levantamento mensal do Colegiado de Economia da Faculdade de Petrolina (Facape) mostrou que o custo da cesta básica voltou a subir nas duas cidades do Vale do São Francisco, pressionado principalmente pela entressafra de hortaliças e pela baixa oferta de laticínios no campo.
Segundo as informações divulgadas pela Facape, a variação foi de 4,34% em Juazeiro e de 3,54% em Petrolina na comparação de abril com março de 2026. Em valores absolutos, a cesta custou R$ 626,55 em Juazeiro e R$ 672,42 em Petrolina — uma diferença de R$ 45,87 a favor da cidade baiana.
No acumulado dos últimos 12 meses, o impacto é ainda mais expressivo em Juazeiro: os alimentos registraram alta de 8,08% no município baiano, ante 4,61% em Petrolina. O encarecimento contínuo ao longo do ano aperta o orçamento de quem já tem pouca folga financeira. Segundo apuração de outros veículos que cobriram a pesquisa, quem recebe o salário mínimo de R$ 1.621 no Vale do São Francisco precisou destinar cerca de 40% da renda apenas para cobrir os itens básicos da alimentação.
O tomate foi o vilão do mês pelo segundo período consecutivo. Segundo a Facape, o produto acumulou alta de 20,77% em abril e de 30,24% nos últimos 12 meses. A explicação é a redução natural da oferta no intervalo entre as safras de verão e inverno. O movimento não é exclusivo da região: o DIEESE e a Conab registraram pressão semelhante do tomate nas capitais brasileiras ao longo de 2026, com o subgrupo de tubérculos, raízes e legumes acumulando forte alta no período.
Outros produtos também contribuíram para o encarecimento. O leite integral subiu 3,60%, reflexo da entressafra leiteira, enquanto o arroz teve aumento de 3,01%. A carne, que vinha sendo apontada como um dos principais riscos de alta para 2026 por conta da redução do rebanho disponível para abate, apresentou leve estabilidade em abril, com queda de 0,15%.
Na outra ponta, o açúcar voltou a cair: recuou 0,48% no mês e acumula baixa de 17,66% em 12 meses. O café também recuou 1,27% em abril, movimento associado à proximidade da safra e à redução nas exportações. Esses dois itens ajudaram a segurar uma alta ainda maior da cesta no período.
O cenário de encarecimento dos alimentos não é fenômeno isolado no Nordeste. Segundo o DIEESE, em março de 2026 a cesta básica ficou mais cara em todas as 27 capitais do país. As cidades nordestinas estiveram entre as que registraram as maiores altas no período, com Salvador atingindo variação de 7,15% só naquele mês.
Diante da variação de preços encontrada entre os estabelecimentos pesquisados, a orientação dos economistas da Facape é que os consumidores pesquisem antes de comprar, comparando marcas e supermercados. Segundo o levantamento, há diferença relevante de valores entre os pontos comerciais das duas cidades, o que representa uma oportunidade real de economia para quem tem disposição para buscar a melhor oferta antes de encher o carrinho.




