O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), usou entrevista exclusiva concedida ao BNews — direto da China, onde acompanha a turnê da Orquestra Neojiba — para se defender das acusações de que teria trabalhado contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A sabatina terminou com a rejeição do advogado-geral da União: 34 votos a favor, quando eram necessários 41 para aprovação.
Nos bastidores, circulou a suspeita de que Wagner teria atuado alinhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para barrar o nome escolhido pelo presidente Lula. O senador baiano negou e explicou o seu papel no processo.
“Todo mundo sabe que minha relação com Davi Alcolumbre ficou muito estremecida quando da escolha do presidente Lula pelo Jorge Messias”, afirmou Wagner, acrescentando que Alcolumbre era favorável ao nome de Rodrigo Pacheco. “Eu já disse a eles que eu não mando na cabeça do presidente. Minha obrigação como líder do governo é pegar a escolha do presidente e trazer para a sabatina”, completou.
Wagner também explicou a conversa que teve com Alcolumbre momentos antes de o painel ser aberto. Segundo ele, foi até a mesa para pedir a abertura do placar achando que Messias teria 43 votos — suficientes para a aprovação. A resposta do presidente do Senado o surpreendeu: “Vocês vão perder por oito”. O resultado final foi uma derrota por sete votos.
O senador ainda comentou o diálogo que teve com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a sessão, que foi analisado por especialista em leitura labial e viralizou nas redes. Wagner disse que conversa com todos, inclusive da oposição, e que não vai mudar seu estilo. “Eu acho que a democracia depende de diálogo”, declarou.
Sobre as críticas internas, Wagner afirmou estar com a consciência tranquila, disse ter conversado com Lula por telefone já da China e garantiu que vai continuar na liderança do governo no Senado. Por fim, lamentou o comportamento de aliados durante a votação secreta: “No voto secreto, realmente o pessoal traiu e para mim é uma tristeza, porque machucaram um jovem, Jorge Messias, que não merecia nada disso por conta de uma briga pré-eleitoral.”




