O famoso professor de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido no mundo das lutas como Melqui Galvão, foi preso preventivamente em Manaus. A prisão aconteceu após investigações da Polícia Civil de São Paulo que apuram crimes de abusos sexuais, físicos e psicológicos contra pelo menos três vítimas, incluindo uma adolescente.
A atleta Brenda Larissa Alves da Silva, de 27 anos, decidiu quebrar o silêncio e relatou que os abusos começaram quando ela tinha apenas 12 anos. Segundo Brenda, o treinador se aproveitou da situação financeira difícil de sua família para oferecer ajuda com quimonos e viagens, usando o apoio como moeda de troca para o controle absoluto.
A lutadora afirmou que viveu 14 anos de tortura mental e física. Ela revelou que o treinador exercia um domínio psicológico tão forte que chegou a forjar um namoro falso entre ela e outro aluno para despistar qualquer suspeita de abuso dentro do projeto esportivo que ele coordenava na capital amazonense.
Brenda contou ainda que percebeu que não era a única vítima aos 16 anos e que sua própria irmã também teria sido alvo do treinador. Mesmo após se mudar para São Paulo e tentar seguir carreira de forma independente, ela afirma que continuou recebendo mensagens e propostas do acusado, o que descreveu como uma tortura constante.
A decisão de denunciar o caso e torná-lo público veio após Brenda ouvir relatos de outras mulheres e sentir a necessidade de proteger novas atletas. A prisão de Melqui Galvão gerou grande repercussão no cenário esportivo nacional, encorajando outras possíveis vítimas a procurarem as autoridades.
A polícia segue investigando o caso para identificar se existem mais vítimas do treinador ao longo dos anos em que ele atuou no Amazonas e em outros estados. Brenda já formalizou a denúncia em Manaus e espera que o caso sirva de alerta para que o medo não impeça outras mulheres de buscarem justiça.




