A Prefeitura de Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia, decidiu manter a programação milionária da 40ª Vaquejada do município mesmo após o Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendar a suspensão de um dos contratos. Em nota oficial, a gestão municipal classificou as contratações como parte de uma “gestão responsável” e afirmou ter encaminhado documentos técnicos e jurídicos ao órgão como resposta.
A polêmica começou quando o MP-BA, em recomendação assinada no dia 23 de abril, pediu a suspensão imediata do contrato de R$ 800 mil firmado com o cantor Natanzinho Lima. O órgão apontou que o valor está cerca de 28% acima do limite considerado razoável — a média das contratações do artista por municípios baianos em 2025 foi de R$ 604 mil, chegando a R$ 624 mil com a correção pelo IPCA. A referência foi elaborada em nota técnica conjunta com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA).
Além de Natanzinho Lima, a vaquejada reúne outros nomes de peso. Segundo dados publicados no Diário Oficial do Município, a dupla Maiara e Maraisa foi contratada por R$ 784 mil, Felipe Amorim por R$ 500 mil e Amado Batista por R$ 495 mil. Somando todas as dez atrações confirmadas, o total de cachês ultrapassa R$ 4 milhões.
Na nota de rebate ao MP-BA, a prefeitura defendeu que “todos os processos de contratação artística seguem rigorosamente os parâmetros estabelecidos na cartilha de recomendações do MP-BA, TCM e TCE”. A gestão também argumentou que o investimento no evento tem impacto direto na economia local, gerando renda para o comércio, setor hoteleiro e trabalhadores informais.
O MP-BA deixou claro que, caso a prefeitura não apresente justificativas convincentes dentro do prazo de 10 dias úteis, o caso pode ser levado à Justiça, com possível responsabilização dos gestores por improbidade administrativa. O evento está previsto para acontecer entre os dias 28 e 31 de maio, no Parque Major Leopoldo.
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