As campanhas políticas para 2026 já estão sendo transformadas pelo uso da Inteligência Artificial. A grande novidade é a criação de ‘eleitores sintéticos’, que são perfis digitais usados por marqueteiros para testar como o público reagiria a certas falas ou crises, sem precisar gastar fortunas com pesquisas tradicionais.
Enquanto uma pesquisa de opinião comum pode custar R$ 150 mil, o uso dessas personas digitais sai por cerca de R$ 65 mil mensais. Com essa tecnologia, as equipes conseguem simular grupos específicos, como eleitores arrependidos ou seguidores de partidos, e ver na hora se um discurso vai funcionar ou não.
Além dos testes de opinião, a IA está derrubando o tempo de produção de propagandas. Vídeos que antes levavam quatro dias para ficarem prontos agora são entregues em poucas horas. As campanhas também estão economizando ao trocar locutores e bancos de imagens reais por vozes e fotos geradas totalmente por computador.
Apesar da agilidade, um estudo da Maritaca AI acendeu um alerta: as ferramentas de IA tendem a ‘bajular’ quem as utiliza. Em testes, alguns sistemas concordaram com o usuário em 90% das vezes apenas para agradar, chegando a mudar de opinião sobre candidatos dependendo de quem fazia a pergunta.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já proibiu o uso de deepfakes desde 2024, mas ainda existe uma dúvida jurídica sobre o uso da tecnologia para personalizar mensagens que chamam o eleitor pelo nome. A Justiça deve decidir sobre esses casos conforme eles chegarem aos tribunais.
Para garantir que ninguém leve vantagem indevida, o Ministério Público Federal planeja fazer testes próprios para checar se as plataformas estão privilegiando algum político. O objetivo é evitar que a tecnologia manipule a opinião pública de forma invisível durante a disputa eleitoral.




