sexta-feira, 1, maio, 2026
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“Pra não matar ele”: alagoano caminhou até SP por 6 meses após ex traí-lo com o próprio irmão

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Um nordestino de Alagoas percorreu seis meses a pé, desde o Nordeste até São Paulo, depois de descobrir que sua ex-companheira tinha um caso com o próprio irmão. Ronaldo Carvalhos conta que tomou a decisão para evitar uma tragédia maior. “Minha ex-mulher ficou com o meu próprio irmão de sangue. Então ‘pra mim não matar ele’, eu preferi sair”, afirmou ele, em entrevista ao Metrópoles.

Durante a longa caminhada, Ronaldo passou pelos estados da Bahia e de Minas Gerais antes de chegar à capital paulista. Sem dinheiro, ele dependia da solidariedade das pessoas no caminho. “Pedia numa casa, às vezes a pessoa dava, às vezes não dava. Às vezes eu só tomava água da estrada”, relatou.

Desde que chegou a São Paulo, o alagoano dorme todas as noites na Praça do Patriarca, no centro da cidade — bem em frente ao gabinete do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Ele se alimenta por meio de doações de entidades humanitárias e usa os serviços do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) para tomar banho.

Ajudante de pedreiro, Ronaldo chegou a trabalhar em uma obra logo após sua chegada, mas voltou às ruas quando o serviço acabou e o empregador sumiu sem dar satisfação. Hoje, ele enfrenta o preconceito de quem cruza de calçada para não passar perto. “A pessoa passa lá do outro lado. Nós se sente assim, como um leão, sabe?”, desabafou.

Apesar de tudo, o alagoano mantém um sonho simples: “Um dia a gente vai ter, tipo, uma casinha, né? Se Deus quiser”, disse.

A situação de Ronaldo não é isolada. Toda sexta-feira, cerca de 500 pessoas em situação de rua se reúnem na mesma praça para receber doações de ONGs e entidades religiosas. Segundo levantamento com base em dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, São Paulo tem quase 100 mil moradores de rua — a maior concentração do país. O pastor Luciano Escala, do Instituto Viver na Bênção, que distribui refeições no local há dez anos, critica a contradição: “É a cidade que mais arrecada em toda a federação, e nós temos pessoas nessa situação. E quem faz esse trabalho? Nossa comunidade, uma comunidade simples.”

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