A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, acusou o ex-deputado federal Uldurico Júnior de ter negociado a fuga de 16 detentos da unidade em troca de R$ 2 milhões. As declarações foram dadas em entrevista à TV Bahia exibida na quinta-feira (30), e reforçam o conteúdo da delação premiada que Joneuma assinou junto ao Ministério Público da Bahia (MPBA).
Segundo a ex-diretora, o acordo foi firmado diretamente entre Uldurico e Ednaldo Pereira Souza, o Dadá, líder da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE). “A facilitação da fuga se deu por um acordo entre o ex-deputado Uldurico Júnior e o Ednaldo, que era um interno do Conjunto Penal de Eunápolis. Após uma negociação com alguns valores, foi combinado que seriam 2 milhões de reais para facilitar, fazer uma vista grossa em relação ao planejamento dessa fuga. Mas a princípio foi ele que negociou, e me usou para poder negociar essa fuga com valor de 2 milhões de reais”, disse Joneuma.
De acordo com a delação, a negociação formal ocorreu em 2 de novembro de 2024, quando Joneuma e Uldurico estavam hospedados em um hotel em Eunápolis. Um intermediário ligado a Dadá chegou ao local e a combinação foi feita por chamada em viva-voz. A fuga aconteceu em 12 de dezembro de 2024, com os presos escapando pelo teto das celas com o uso de uma furadeira.
Joneuma afirmou que nunca lhe foi prometida nenhuma parte do valor. “Nunca foi falado que seria algum valor para mim. Sempre ele dizia, é metade para mim, metade para o chefe”, declarou. Investigações do MP-BA apontam que o “chefe” mencionado por Uldurico seria o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), que nega envolvimento no esquema.
A ex-diretora também negou ter tido qualquer relacionamento com Dadá, rebatendo especulações sobre a paternidade de sua filha. “O que mais me prejudicou foi que o pai da minha filha, o Uldurico, nunca se pronunciou que era o pai dela, mesmo sabendo que eu estava grávida desde outubro de 2024”, afirmou. Joneuma disse que decidiu falar publicamente após ter ficado presa, incomunicável e isolada por um período prolongado.
Uldurico Júnior foi preso em Salvador no dia 16 de abril de 2026 e nega todas as acusações. Joneuma está em prisão domiciliar. A investigação, que ficou conhecida como Operação Duas Rosas — referência ao código “rosa” usado pelos envolvidos para denominar o dinheiro —, segue em andamento.




