A Borborema Recursos Estratégicos, controlada pela BRE (Brazilian Rare Earths), empresa listada na bolsa australiana, pretende investir até R$ 3,6 bilhões para implantação de uma mina e planta de concentração de terras raras em Jiquiriçá/Ubaíra (BA) e uma planta de separação de óxidos de elementos terras raras em Camaçari, também na Bahia. O projeto de mineração, denominado Monte Alto, visa o aproveitamento daquele que é descrito como provavelmente o depósito de maior teor de terras raras reportado no mundo, com média superior a 15% de TREO.
Segundo o presidente da empresa no Brasil, Renato Gonzaga, a província mineral controlada pela BRE, denominada Rocha da Rocha, na região do Recôncavo Sul da Bahia, abrange mais de 200 direitos minerários em uma faixa de aproximadamente 160 km (de Jiquiriçá/Ubaíra até Jequié), com cerca de 300 mil hectares.
O Projeto Monte Alto, na localidade de Jiquiriçá/Ubaíra, visa a lavra de um depósito em rochas, diferentemente da maioria dos projetos de terras raras no Brasil, que objetivam a mineração em argilas iônicas. Além da elevada concentração de TREO, o projeto tem um outro diferencial, que é a mineralogia do depósito, com altas concentrações de Neodímio, Praseodímio, Disprósio e Térbio, tendo ainda como coprodutos urânio, tântalo e escândio.
Atualmente, segundo Gonzaga, a empresa está desenvolvendo o Scoping Study, que vai ser publicado provavelmente no terceiro trimestre de 2026 e que “oferecerá ao mercado a primeira visão do que que é a nossa ideia de exploração desse depósito e como vamos conduzir essa mina ao longo do tempo”.
Um aspecto do projeto que o executivo considera importante é que a BRE fechou uma parceria com a empresa francesa Carester, de tecnologia industrial, que se tornou um player estratégico na cadeia de suprimentos de terras raras na Europa. Sediada em Lyon, a empresa foca na reciclagem de ímãs permanentes e na refinação de concentrados minerais para reduzir a dependência ocidental do mercado chinês. Com a empresa francesa, a BRE fechou um contrato de off-take pelo qual os franceses se comprometem a fornecer a tecnologia de separação e ajudar no desenvolvimento do projeto, que prevê, numa primeira fase, a produção de concentrado próximo à mina. “Numa segunda fase, a ideia é que se avance na cadeia de valor e separe os elementos dentro do polo petroquímico de Camaçari. Para isso estamos desenvolvendo a nossa planta piloto. Em Camaçari haveria uma segunda fase, onde poderíamos separar todos os elementos contidos na rocha. Seria uma primeira fase de separação feita no Brasil, com adição de valor, e numa área antropizada, onde se tem reagentes, porto, logística próxima. Assim, temos todas as condições para criar aquilo que o governo fala muito, de não ser um mero exportador de commodities. Queremos separar esses elementos no Brasil e adicionar valor”, diz Gonzaga, informando que a BRE está desenvolvendo a planta piloto no Senai-Cimatec, que deve operar em setembro de 2026.
Ele informa que a BRE foi uma das 56 empresas qualificadas e pré-selecionadas para o programa de apoio financeiro oferecido pelo BNDES/Finep, mas que está bem-posicionada em termos financeiros, porque no final de 2025 contava com cerca de US$ 160 milhões em caixa, o que é raro para uma empresa nesse estágio de desenvolvimento. Além disso, a BRE conta com acionistas do porte da Hancock Prospecting (uma das empresas privadas mais influentes e bem-sucedidas da Austrália, controlada pela bilionária Gina Rinehart) e Whitehaven Coal, que é a maior empresa de carvão do mundo. “Temos capacidade de financiar esse projeto até a construção, o que nos permite ainda trazer algumas outras parcerias estratégicas”, reitera Gonzaga.
Em termos de investimentos, ele explica que a empresa assinou um memorando de entendimentos com o governo da Bahia, onde se prevê um investimento da ordem de R$ 600 milhões numa primeira fase, até a etapa do concentrado. Até a segunda fase, a previsão é de um investimento na faixa de R$ 3,6 bilhões.
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