O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, decidiu mudar sua estratégia jurídica e contratou o advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça, para tentar um acordo de delação premiada. A movimentação ocorre enquanto ele segue preso e tenta garantir benefícios antes de outros investigados.
A pressa de Costa tem um motivo claro: ele quer fechar o acordo com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República antes do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Nos bastidores, a avaliação é que, se o parceiro de negócios falar primeiro, as informações de Costa perderão o valor para a Justiça.
Paulo Henrique Costa é alvo de acusações graves de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, ele teria recebido propinas milionárias para facilitar a compra de carteiras fraudulentas durante as negociações entre o BRB e o banco de Vorcaro.
As investigações apontam que o esquema envolveu o recebimento de seis imóveis de luxo, localizados em Brasília e São Paulo, avaliados em R$ 146 milhões. Desse total, os investigadores afirmam que pelo menos R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos ao ex-gestor.
Enquanto a defesa tenta abrir o canal de delação, a situação de Paulo Henrique na Justiça continua complicada. Nesta quarta-feira, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) começaram a votar para decidir se ele permanece preso ou se ganha a liberdade.
Até o momento, os ministros André Mendonça e Luiz Fux votaram para manter o ex-presidente do banco atrás das grades. O julgamento acontece de forma virtual e reforça a pressão sobre o ex-executivo para colaborar com as autoridades.




