A chegada da gigante chinesa BYD em Camaçari traz um grande desafio logístico que pode travar o crescimento da indústria na Bahia. O alerta foi feito pelo ex-ministro e especialista em planejamento, Waldeck Ornélas, que questiona como a produção de 600 mil veículos por ano será retirada do estado.
Segundo Ornélas, o mercado consumidor desses carros elétricos não é a Bahia, o que exige que a produção seja levada para outras regiões ou exportada. O problema é que o estado sofre com a falta de ferrovias e possui rodovias insuficientes para esse volume de carga.
A situação dos portos também preocupa. O especialista afirma que o único terminal de contêineres disponível está sobrecarregado. Mesmo com a previsão de ampliação do pátio nos próximos dois anos, o espaço ainda é considerado pequeno para atender a demanda da maior fábrica da BYD fora da Ásia.
A unidade, que ocupa o antigo complexo da Ford, tem a meta ambiciosa de gerar até 10 mil empregos. No entanto, o ex-ministro reforça que, sem investimentos pesados em infraestrutura de transporte, a continuidade desse crescimento fica seriamente ameaçada.
As críticas e análises sobre o gargalo no transporte baiano fazem parte do novo livro de Ornélas, intitulado “Bahia – Urgências do presente”. A obra detalha como as obras de logística no estado estão travadas há pelo menos uma década.




