quinta-feira, outubro 29, 2026
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Oxfam: super-ricos poluem mais e também lucram com desastres climáticos

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Os 0,1% mais ricos do mundo — cerca de 8 milhões de pessoas — emitem mais carbono do que os 3,5 bilhões mais pobres. A conclusão é de um relatório da Oxfam divulgado antes da COP31, conferência climática da ONU marcada para ocorrer na Turquia, de 9 a 20 de novembro de 2026.

O estudo afirma que os muito ricos contribuem desproporcionalmente para a crise climática, mas conseguem se proteger de seus impactos e até lucrar com eles. Já as populações mais vulneráveis enfrentam perdas de moradia, plantações, renda e acesso a alimentos após enchentes e incêndios.

Segundo os dados reunidos pela organização, a contribuição de uma pessoa entre os 0,1% mais ricos para as atuais ondas de calor extremo é quase 400 vezes maior que a de alguém entre os 50% mais pobres. A Oxfam estima ainda que um ano de emissões do 1% mais rico poderá resultar em 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor. Destas, 78% ocorreriam em países de renda baixa ou média-baixa, responsáveis por 8% das emissões globais.

O relatório avalia que as emissões do 1% mais rico podem gerar quase US$ 53 trilhões em prejuízos econômicos até 2050. Até lá, a crise climática também pode deslocar até 1 bilhão de pessoas, a maioria no Sul Global. A entidade cita ainda que pessoas com grandes fortunas podem recorrer a bunkers, equipes privadas de combate a incêndios e seguros, enquanto obtêm ganhos com a poluição e com a reconstrução após desastres.

O índice Destroy & Rebuild (Destruir e Reconstruir), da Oxfam, identificou 217 empresas que lucram tanto com atividades associadas ao agravamento climático quanto com serviços de preparação, resposta, recuperação e reconstrução após desastres.

Recomendações

A Oxfam defende que grandes poluidores reduzam rapidamente as emissões e contribuam financeiramente por meio de tributos sobre riqueza, renda, empresas de combustíveis fósseis e bens de luxo com alta emissão, como jatos particulares.

A organização também recomenda ampliar o financiamento climático para o Sul Global, priorizando recursos públicos e doações em vez de empréstimos, e triplicar até 2035 os recursos para adaptação. Entre as medidas propostas estão fortalecer serviços e infraestrutura pública resilientes ao clima e limitar o poder corporativo em áreas como resposta a emergências, reconstrução e sistemas alimentares durante crises.

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