A reportagem do Painel, da Folha de S.Paulo, publicada em 20 de setembro de 2026, relata que o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), utilizou em um compromisso de campanha um helicóptero que, segundo documentos da Polícia Federal, havia sido anteriormente disponibilizado por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o senador Jaques Wagner (PT).
O episódio ocorreu em 30 de agosto de 2026. Jerônimo viajou de helicóptero, acompanhado de Rui Costa e Jaques Wagner, entre Castro Alves e Itatim, para uma atividade de campanha. A aeronave era um Bell Helicopter 206L-4, prefixo PT-YNB, pertencente à empresa RG8 Táxi Aéreo Ltda.
A reportagem relaciona essa mesma aeronave a um episódio de outubro de 2023, mencionado em relatório da PF. Segundo a investigação, Augusto Lima teria disponibilizado o helicóptero para Jaques Wagner e sua mulher se deslocarem até a Ilha da Paixão, nos arredores de Salvador, onde Lima possui uma propriedade. Wagner nega ter utilizado o helicóptero para esse deslocamento.
O que a PF aponta
De acordo com o relatório policial citado pela Folha, mensagens encontradas no celular de Augusto Lima indicariam que ele e Wagner combinaram a viagem à ilha. Lima teria enviado a Wagner o prefixo da aeronave que faria o transporte.
A reportagem, portanto, destaca a coincidência entre a aeronave usada por Jerônimo em 2026 e aquela que, segundo a PF, teria sido disponibilizada por Lima em 2023.
Resposta do governo da Bahia
O governo estadual afirmou que as aeronaves utilizadas pelo governador são alugadas e que os respectivos gastos foram declarados à Justiça Eleitoral.
A prestação de contas da campanha de Jerônimo registra um pagamento de R$ 207.500 à RG8 Táxi Aéreo, feito em 16 de agosto.
Resposta de Augusto Lima
A defesa de Lima nega qualquer vínculo entre ele e o helicóptero utilizado na campanha.
Segundo a defesa, o prefixo citado pela PF corresponde a uma aeronave pertencente a uma empresa de táxi aéreo e não a Augusto Lima. Argumenta também que uma mesma aeronave comercial pode ser contratada por diferentes clientes em momentos distintos, sem que isso estabeleça uma relação entre esses clientes.
A defesa acusa a reportagem de tentar estabelecer uma conexão inexistente a partir dessa coincidência e afirma que Lima continua à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, reiterando sua confiança de que sua inocência será comprovada ao fim das investigações.
Em síntese: a reportagem não afirma que Jerônimo tenha recebido o helicóptero diretamente de Augusto Lima. O ponto central é que a mesma aeronave utilizada pelo governador em uma atividade de campanha aparece em investigação da PF como tendo sido disponibilizada por Lima a Jaques Wagner em 2023, enquanto o governo diz ter contratado normalmente a aeronave da empresa proprietária e a defesa de Lima rejeita qualquer ligação com a campanha. Leia a reportagem completa na Coluna Painel: clique aqui