domingo, 17, maio, 2026
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Jaraguá, em Maceió: o bairro que nasceu antes da cidade e agora ganha nova orla à beira-mar

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Antes mesmo de Maceió existir como cidade, já havia vida no Jaraguá. O bairro surgiu como uma aldeia de pescadores, antes mesmo da povoação de Maceió. Com o tempo, foi lá que se instalou o porto da cidade e, em razão disso, o comércio nacional e internacional se tornou intenso quando a capital ainda estava se desenvolvendo. Séculos depois, o bairro segue resistindo — e se reinventando.

O charmoso bairro de Jaraguá, onde a arquitetura preserva a riqueza histórica de Maceió, é considerado um museu a céu aberto com construções que guardam as memórias do surgimento da cidade. O acervo cultural do bairro, compreendendo espaços urbanos, monumentos, bens imóveis e áreas verdes, foi tombado pelo estado de Alagoas em 1984.

Um dos símbolos mais conhecidos do Jaraguá é a Praça Dois Leões, localizada em frente ao Museu da Imagem e do Som (MISA). Segundo informações do Cadaminuto, a concepção do espaço é atribuída ao artista visual alagoano Rosalvo Ribeiro, que retornava da França com referências europeias — incluindo uma réplica da Estátua da Liberdade. As peças decorativas representam dois leões, um tigre, um lobo e um javali. O espaço, que inicialmente se chamava Praça General Lavenère Wanderley, tornou-se ponto de encontro, palco de apresentações culturais e reduto de comidas típicas.

Outro patrimônio que resiste ao tempo é o Coreto de Jaraguá. De acordo com a mesma reportagem, a estrutura foi inaugurada em 1927, durante a gestão do prefeito Jayme de Altavilla. Localizado em frente ao Memorial à República, o espaço recebe apresentações culturais, caminhantes e quem quer contemplar o pôr do sol. O bairro concentra ainda o Memorial à República, o Museu da Tecnologia, a Casa do Patrimônio (IPHAN Alagoas) e a Fundação Teotônio Vilela.

A vida cultural também pulsa no Jaraguá ao longo do ano. Maracatus, atrações afro, desfiles de escolas de samba e o evento Artnor fazem parte do calendário do bairro. A prefeitura de Maceió ainda usa o estacionamento do Jaraguá para o Verão Massayó, em janeiro, e o São João Massayó, em junho, atraindo artistas de todo o país.

A renovação mais recente chegou em abril de 2026. A Nova Orla de Jaraguá marca a transformação de uma área antes restrita ao uso portuário em um novo eixo de convivência, mobilidade e turismo na capital alagoana. Durante anos, o trecho entre a Pajuçara e o Porto do Jaraguá permaneceu sem acesso público devido à presença da cerca do porto instalada ao longo da faixa marítima, o que impedia a circulação contínua de pedestres.

A Nova Orla tem extensão de 1,5 km, com ciclovia e pista de cooper. O calçadão inclui quatro mirantes, paisagismo, novos mobiliários e iluminação em LED. Um dos destaques é a escultura Mão de Deus, com quatro metros e meio de altura, projetada pelo arquiteto maceioense Tácio Rodrigues. Segundo o Cadaminuto, a obra foi executada pelo artista plástico Ely Mendes e está voltada para o mar, com 2,5 metros de diâmetro.

O projeto conecta o bairro histórico de Jaraguá à Pajuçara, reposicionando o trecho como um dos principais cartões-postais da cidade e ampliando o acesso da população ao litoral urbano. Os recursos para as obras também foram utilizados para construir uma contenção marítima de 200 metros, o que vai evitar a erosão da praia e gerar mais segurança para a população e o ecossistema.

Para moradores como Tereza Maria, que vive no Jaraguá desde que nasceu, as mudanças são positivas. Segundo ela, o bairro se modernizou e a economia cresceu ao longo do tempo, com os patrimônios históricos sendo mantidos. Ela ressalva, no entanto, que parte da programação cultural migrou para o Centro de Convenções — o que, para alguns, representa um deslocamento da animação do próprio bairro.

O historiador Lucas Roberto, ouvido pelo Cadaminuto, reforça que a importância do Jaraguá está diretamente ligada ao porto e aos prédios de influência europeia. Para ele, o investimento em infraestrutura — como a Nova Orla — é um dos principais fatores que atraem público ao bairro, embora os movimentos sazonais criem momentos de alta e baixa.

A arquitetura do bairro permanece praticamente intocada, com diversos armazéns e sobrados que resistem ao tempo, registrando a imponência das atividades canavieira e mercantil. Entre passado e presente, o Jaraguá segue sendo o ponto onde a história de Maceió começou — e onde ela continua sendo escrita.

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