sábado, 16, maio, 2026
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Júri considera provas insuficientes e absolve único preso por duplo homicídio de PMs na Bahia

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O único réu preso pela morte de dois policiais militares no sudoeste da Bahia foi absolvido pelo Tribunal do Júri na última quinta-feira (14). O julgamento de Rodrigo da Silva Matos, acusado de envolvimento nos assassinatos dos policiais Luciano Libarino Neves e Robson Brito de Matos, ocorreu no Fórum João Mangabeira, em Vitória da Conquista.

Por maioria de quatro votos a um, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição do réu, rejeitando as acusações do Ministério Público, que incluíam duplo homicídio triplamente qualificado, corrupção de menores e furto qualificado.

A defesa sustentou a tese de que Rodrigo estava trabalhando em uma cerca nas proximidades quando foi atingido por um tiro e desmaiou, negando qualquer participação nas mortes. A sessão foi presidida pela juíza Janine Soares. Com o veredito, o réu, que estava preso no Conjunto Penal desde 2021, aguarda a expedição do alvará de soltura para ser posto em liberdade.

O crime aconteceu em 13 de julho de 2021: o soldado Robson Brito de Matos, de 30 anos, e o tenente Luciano Libarino Neves, de 34 anos, foram assassinados a tiros no município de Vitória da Conquista. Ambos eram lotados na 92ª CIPM Rural e estavam atuando à paisana como P2, policiais credenciados no Comando de Operações de Inteligência.

A Polícia Militar afirmou que eles apuravam informações sobre um acampamento de ciganos no distrito de José Gonçalves, cujos ocupantes supostamente andavam armados e praticavam receptação. A investigação da Polícia Civil apontou que, quando a dupla foi pedir informações em uma loja, um adolescente de 13 anos foi alertado sobre a presença dos homens. O menino teria avisado o pai, Rodrigo da Silva Matos, que foi com outros filhos atrás dos policiais e disparou contra eles, levando armas e celulares.

O soldado Robson Brito era natural de Brumado, casado e pai de uma filha, tendo ingressado na corporação em 2018. Já o tenente Neves era casado, pai de um filho, e havia ingressado na PM em 2009.

Rodrigo foi preso em flagrante após dar entrada no Hospital de Base de Vitória da Conquista com ferimentos de bala. Ele é apontado como membro e líder de uma comunidade cigana da região. O promotor ofereceu denúncia por homicídio qualificado, corrupção de menores e associação criminosa também contra os filhos Diogo, Solon, Marlon e Bruno.

Ao todo, oito integrantes da família foram mortos pela polícia por suspeita de envolvimento no crime durante as operações que se seguiram ao duplo assassinato. O crime aconteceu em uma comunidade cigana no distrito de Josué Gonçalves. Desde os primeiros dias, ciganos da região denunciaram ser alvos de represálias. O Instituto Cigano do Brasil divulgou nota afirmando que respeitava o trabalho de investigação, mas denunciando perseguições contra a comunidade.

Com a absolvição de Rodrigo da Silva Matos, o caso da morte dos dois policiais militares encerra seu único julgamento sem nenhuma condenação. O processo tramitou por quase cinco anos até a decisão do Tribunal do Júri de Vitória da Conquista.

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