O presidente do Esporte Clube Vitória, Fábio Mota, foi direto ao ponto quando questionado sobre a relação entre o futebol e os eventos culturais que deverão ocupar a futura Arena Barradão. Para ele, não há dúvida sobre quem manda na casa rubro-negra: “A prioridade da Arena Barradão é o futebol. Não vamos ter nenhum jogo adiado em função de um grande show. O calendário vai se adequar ao futebol”, afirmou o dirigente.
A declaração vem no contexto da modernização do estádio em Canabrava, bairro de Salvador. O Vitória apresentou o projeto da nova Arena Barradão nesta quarta-feira (13), com proposta de modernização do estádio em modelo multifuncional, capaz de sediar não apenas partidas de futebol, mas também grandes eventos culturais, corporativos e de entretenimento ao longo de todo o ano.
Mas Mota não deixou margem para dúvidas sobre a hierarquia do projeto. Segundo ele, os shows e exposições entram em cena principalmente nas Datas Fifa — janelas do calendário em que não há rodadas nas competições nacionais. Fora dessas janelas, o esporte sempre prevalece na grade de uso do espaço.
Com investimento estimado em R$ 460 milhões, o projeto prevê um estádio com capacidade para 40.597 torcedores em partidas e até 60 mil pessoas em grandes eventos. A estrutura também inclui espaços comerciais e de lazer: o complexo multiuso contará com estacionamento para 5 mil veículos, praça de alimentação, academia, loja oficial do clube, museu e tours guiados. Também estão previstas dezenas de camarotes corporativos para empresas parceiras.
A operação será realizada por meio de uma concessão de 35 anos firmada com o consórcio responsável pelo empreendimento, a SD Arenas. Representante da SD Arenas, Leonardo Carvalho afirmou que a Arena Barradão será referência em nível nacional e na América Latina.
Quanto às obras, o presidente do Vitória afirmou que as intervenções serão iniciadas pelo fechamento do anel do estádio, estratégia que permitirá ao clube continuar mandando jogos no local durante parte das obras. Segundo o dirigente, o Vitória deve permanecer atuando no Barradão por aproximadamente um ano após o começo das intervenções.
O projeto da Arena Barradão deu mais um passo na quarta-feira (13). No dia em que o Vitória completou 127 anos, a diretoria rubro-negra se reuniu com o prefeito de Salvador, Bruno Reis, no Palácio Thomé de Souza, para formalizar o pedido de autorização das obras, entregando os documentos necessários para obtenção dos alvarás e licenças municipais.
Fábio Mota ressaltou que o projeto ultrapassa o interesse esportivo, prevendo a geração de cerca de dez mil empregos indiretos e a consolidação de uma arena multiuso para shows e exposições na capital baiana. A estimativa do consórcio é atrair até 500 mil pessoas por ano e gerar cerca de R$ 1 bilhão em receita. Para o presidente, porém, a essência do Barradão segue intacta: modernização sim, mas sem abrir mão do futebol como razão de ser da arena.




