A atriz, cantora e apresentadora baiana Marlene Casanova faleceu na terça-feira (12) em Salvador, aos 83 anos. A notícia foi confirmada por amigos ao portal G1. Marlene viveu seus últimos anos na capital baiana, junto à família, após décadas dedicadas à noite carioca.
Natural da Bahia, ela construiu boa parte da carreira no Rio de Janeiro. Segundo pesquisa do jornalista e historiador de cultura LGBT+ Rodrigo Faour, o primeiro palco de grande relevância para a artista foi o Cabaré Casanova, localizado na Avenida Mem de Sá, no bairro da Lapa. O Cabaré Casanova funcionou na Lapa de 1939 a 2008 e, a partir de meados dos anos 1950, passou a atender principalmente o público LGBT+, consolidando as carreiras de artistas como Marlene Casanova.
Antes de se tornar um nome conhecido na noite carioca, ela se apresentava apenas como Marlene, em homenagem à cantora homônima. Foi no Cabaré Casanova, onde trabalhou como apresentadora e diretora, que adotou o sobrenome da casa — e assim ficou para a história.
O Casanova foi um espaço histórico e de resistência da comunidade gay no Rio de Janeiro, que transgrediu padrões de comportamento até mesmo durante a ditadura militar. Marlene integrou esse ambiente por anos, num período em que poucos espaços acolhiam artistas e o público LGBT+ no Brasil.
Ao longo da carreira, Marlene também atuou no teatro de revista, com participação em peças como “Mimosas até certo ponto”. Além disso, foi apresentadora de eventos LGBT+ cariocas de destaque, como o “Miss Boneca Pop” e o “Oscar Gay”, segundo informações divulgadas pelo G1.
O nome de Marlene ganhou projeção nacional em 2022, quando a atriz Neusa Borges a mencionou durante participação no programa “Conversa com Bial”, da TV Globo. Para dar vida à Cigana Pomba Gira, da novela “Carmem”, Neusa Borges contou com a ajuda da amiga transformista Marlene Casanova na construção do personagem. A novela “Carmem”, de Glória Perez, foi exibida pela extinta TV Manchete e estrelada por Lucélia Santos, Neusa Borges e Paulo Betti.
O velório de Marlene aconteceu nesta quarta-feira (13) no Parque da Paz, em Itaboraí, no Rio de Janeiro — cidade escolhida pela família para a cerimônia de despedida. Após o velório, o corpo foi cremado. A artista deixa um legado de resistência e pioneirismo numa época em que a visibilidade LGBT+ era uma conquista que custava muito.




